terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Miles Davis - Uma Lenda do Jazz

No seu livro "Os Caminhos do Jazz", Guido Boffi afirma - "Não existe, no mundo do Jazz, um outro músico que, de modo análogo a Miles Davis, tenha sido capaz de atravessar com a sua trompete muitos movimentos fervilhantes que nasciam progressivamente na modera cena musical jazzistíca... Davis foi até ao fim um artista sensibilíssimo na apresentação das novas tendências e das mudanças nas novas formas de expressão".

Começamos, assim, no Lado a Lado com a Música a nossa deambulação pelo mundo do Jazz.

Miles Davis nasceu nos Estado Unidos da América em Alton - Illinois em 26 de Maio de 1926. Cedo começou o seu interesse pela música. A mãe pretendia que estudasse piano, mas uma trompete oferecida pelo pai despertou mais interesse a Miles. Era o início.

Depois de concluir os seus estudos de iniciação musical e de ter pertencido a algumas bandas no Illinois, Miles muda-se para Nova Iorque aos 19 anos, com uma bolsa de estudo na Juilliard Scholl of Music. Cedo abandona os estudos e passa a pertencer ao quinteto liderado por Charlie Parker. Surguem a primeiras gravações integradas no estilo bebop.

Em 1948 surgem os primeiros contactos entre Miles Davis e o pianista Gil Evans, que nos seus arranjos utilizava instrumentos que na altura não faziam parte das bandas de jazz como a tuba e o corne francês. Surge assim, o que na altura foi considerando, um insólito noneto (tuba, corne francês, trombone, trompete, sax contralto e sax barítono, piano, contrabaixo e bateria), liderado por Miles e que permite novas e mais leves sonoridades afastando-se, assim, do bebop. A esta nova corrente chamou-se cool jazz. O noneto designado por "Tuba Band" é considerado por muitos críticos umas das mais fascinantes bandas de jazz de todos os tempos.

Após uma fase obscura e de repensamento, Miles funda em 1955 um quinteto destinado a entrar na história do jazz. O Miles Davis Quintet formado para além do próprio Miles Davis como trompetista, por John Coltrane no sax tenor, Red Garland no baixo, Paul Chambers no contrabaixo e Philly Jo Jones na bateria, adopta um estilo próximo do bebop, mas com uma influência do blues e do gospel (hard bop), introduzida principalmente pela presença do saxofone. O quinteto é dissolvido em 1957, uma vez que Miles se opunha ao consumo de droga por parte de alguns dos seus participantes.

Em 1957 grava, improvisando, a banda sonora do filme Fim de Semana no Ascensor de Louis Malle, obra que contém antecipações para a viragem de Miles para a modalidade.
Para dar voz a este conceito derivado da música antiga grega e da eclesiástica medieval, reúne de novo em 1958 Red Garland, Paul Chambers Philly Jo Jones e John Coltrane a quem junta no sax alto Julian "Cannonball" Adderley e no piano Bill Evans. Grava nesta altura Kind of Blue considerado por muitos o melhor disco de Miles Davis e um dos álbuns mais belos e importantes de toda a história do jazz.

Em 1963 Miles forma um novo quinteto mas abandonado em parte pelo público ligou-se ao rock e introduziu instrumentos eléctricos no conjunto (1969). Reune Wayne Shorter (sax soprano), Cick Corea e Herbie Hancock (pianos eléctricos) Joe Zawinul (órgão), John McLaughlin (guitarra), Dave Holland (contrabaixo) e Tony Williams(bateria). Esta ligação ao rock foi criticada por muitos apreciadores de jazz.

Até ao inicio dos anos 90 Miles continua a gravar e a viajar por todo o mundo em inúmeros concertos, mudando várias vezes de editora e continuando a ser criticado por muitos por se afastar do jazz. No entanto, mesmo nesta fase, a sonoridade característica da trompete de Miles foi sempre mantida.

A 28 de Setembro de 1991, Miles morre, deixando um legado enorme de gravações em disco e vídeo.


Alberto Velez Grilo

Foto: www.amazon.com
Texto baseado no livro Os Caminhos do Jazz de Guido Boffi e em artigos da Wikipedia.

3 comentários:

Alexandre Gonçalves disse...

Bela introdução ao Jazz / Blues neste programa. Miles Davis foi realmente uma referencia deste estilo musical para o seu e para o nosso tempo. Muitos parabens ao apresentador e ao programa.
E como o programa pressupõe (julgo eu) fazer referência aos “grandes”, aguardo com expectativa o tributo devido à Elis Regina. Aquela que é para mim o grande ícone da MPB e que pessoalmente me atrevo a referi-la como uma grande intérprete do jazz brasileiro – e que me desculpem os puristas do jazz que provavelmente não a incluiriam neste estilo musical. Uma cantora que conjugou algumas peças chave para a criação de uma grande artista: técnica, sentimento (não muito consensual), trabalho e inteligencia. Fica aqui então este meu comentário em jeito de sugestão.

Anónimo disse...

Muito bom, o programa. Continuem!!!

Alberto Velez Grilo disse...

Caro Alexandre. Muito obrigado pelo seu comentário. Finalmente temos uma sugestão para a rubrica.
Fica desde já o apontamento: Elis Regina, merece uma homenagem na rubrica, independentemente do que dela achem os mais puristas do Jazz. Aliás, como foi referido, sobre Miles Davis, também no final da sua carreira, foi muito criticado pelos puristas.

Mais uma vez obrigado e talvez tenhamos Elis Regina ainda no mês de Janeiro.

Alberto Velez Grilo