sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Férias
Espero voltar ao vosso contacto nessa altura.
Até lá...
Alberto Velez Grilo
terça-feira, 24 de Junho de 2008
Billie Holiday
Billie Holiday (nome artístico de Elanora Fagan) nasceu em Baltimore, Estados Unidos da América, a 7 de Abril de 1915 e é para muitos considerada das melhores cantoras de jazz de todos os tempos, ao lado de nomes como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan.Sem qualquer tipo de formação musical, Billie Holiday "aprendeu" jazz recorrendo a gravações de Louis Armstrong e Bessie Smith.
Após três anos a cantar em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond, que lhe possibilita a gravação do seu primeiro disco, com a big band de Benny Goodman. Pode-se afirmar que foi nesta altura que a sua verdadeira carreira teve início. A cantora começou a apresentar-se nas casas nocturnas mais importantes do Harlem (Nova Iorque).
Cantou com as big bands de Artie Shaw e Count Basie, tendo sido uma das primeiras cantoras negras a cantar com uma banda de brancos (Artie Shaw), numa época de segregação racial nos Estados Unidos da América (anos 30).
A sua carreira consagra-se apresentando-se com as orquestras de Duke Ellington, Ted Wilson e ao lado de Louis Armstrong.
Billie Holiday foi uma das mais comoventes cantoras de jazz de sua época. Com uma voz etérea, flexível e levemente rouca, a sua dicção, o seu fraseado e a sensualidade expressando uma incrível profundidade de emoção, aproximaram-na do estilo de Lester Young, com quem, em quatro anos, gravou cerca de cinquenta canções, repletas de swing e cumplicidade. Foi Lester Young que a apelidou de Lady Day.
Em 1944 grava o trágico Strange Fruit (Fruta Estranha) que suscitou o escândalo pelo tema da segregação racial que abordava. Os "estranhos frutos" eram uma alusão aos cadáveres dos negros pendurados nas árvores.
Viciada no álcool e nos estupefacientes, foi presa e internada durante um ano (1947-48). O estupro sofrido enquanto criança marcou sempre a sua vida. Uma vida que a droga levou ao fim. A voz, dolorosamente trémula, torna-se áspera e o seu canto sensível torna-se amargo e artificial.
Embora não sendo um cantora preferencialmente de Blues, foi por muita crítica jazzística aproximada a Bessie Smith, enquanto herdeira da música do gueto negro e devido à sua existência penosa e atormentada.
Pouco antes de sua morte, Billie Holiday publicou sua autobiografia em 1956, Lady Sings the Blues, a partir da qual foi feito um filme, em 1972, tendo Diana Ross no papel principal.
Billie Holiday morre em Nova Iorque a 17 de Julho de 1959.
Alberto Velez Grilo
Texto Baseado em artigos da wikipedia e no livro - Os caminhos do Jazz - de Guido Boffi
Foto: www.sonymusic.com
Billie Holiday - Une anthologie 1947/1956
Lançado pela editora francesa Nocturne, este duplo CD de Billie Holiday faz parte de uma colecção de antologias dos grandes nomes do jazz designada Cabu Jazz Masters.Com um design de capa bastante original de autoria do caricaturista francês Jean Cabut ou Cabu, cada uma das antologias é composta por dois CD disponíveis a um preço muito apeletivo.
No que respeita a Billie Holiday, a antologia cobre o período 1947/1956, isto é, um período em que a voz e a carreira da cantora já tinham atingido a plena maturidade. Nas últimas gravações até é possível notar já alguma decadência a nível vocal.
Faz parte deste trabalho um conjunto de 42 temas, salientando-se as baladas e os swings que tanto caracterizaram a cantora.
Uma vez que cobre um período de nove anos, várias são as bandas e orquestras que acompanham Billie Holiday. Destacam-se:
A orquestra de Bob Haggart O trio de Bobby Tucker A orquestra de Buster Harding A orquestra de Sy Oliver A orquestra de Gordon Jenkins O sexteto de Tiny Grimmes A orquestra de Count Basie A orquestra de Tony Scott
Vários temas são ainda interpretados pela cantora acompanhada pela sua própria banda ou pela sua orquestra.
Louis Armstrong participa em dois temas, You Can't Loose a Broeken Heart e My Sweet Hunk O'Trash.
Destaque ainda para os temas Billie's Blues (I Love My Man) da autoria da cantora e I Cried For You, interpretados ao vivo no famoso concerto do Carnegie Hall (Nova Iorque) a 10 de Novembro de 1956.
Alberto Velez Grilo
Foto: nocturne
Billie Holiday - Strange Fruit
Lançado pela Salt Peanuts em Novembro de 2007, o DVD Strange Fruit contém a maior parte das gravações que Billie Holiday fez para televisão.Contém gravações de 1950, 1956, 1957, 1958 e 1959.
Como será de esperar, a qualidade da imagem não é a melhor, mas no entanto, o DVD consegue transmitir um pouco do que foi a voz e a carreira desta grande interprete.
Curiosamente a gravação com melhor qualidade de imagem é a de 1950.
Fazem parte do DVD os seguintes temas:
God Bless the Child (Herzog-Holiday) 1950
Now Baby, or Never (Holiday - Lewis) 1950
My Man (Charles-Pollack-Yvain) - 1956
Please Don't Talk About Me When I'm Gone (Clare-Palmer-Stept) 1956
Billies's Blues (Billie Holiday) 1956
Easy To Remember (Rodgers - Hart) 1958
What a Little Moonlight Can Do (Woods) 1958
Foolin' Myself (Lawrence - Tinturin) 1958
I Only Have Eyes For You (Dabin - Warren) 1958
Travelin' Light (Mercer - Young) 1958
Strange Fruit (Alan - Marks) 1959
I Loves you Porgy (George & Ira Gershwin) 1959
Fine and Mellow (Billie Holiday) 1957
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
terça-feira, 17 de Junho de 2008
Barítonos e Baixos
Nabucco para voz de Barítono interpretado por Renato Brusson e Attila para voz de Baixo interpretado por Samuel Ramey.
Alberto Velez Grilo
Nabucco - Guiseppe Verdi
Uma das ópera mais importantes para a voz de barítono é a ópera Nabucco de Giuseppe Verdi.Lançado em 1999 este duplo CD contém uma gravação realizada ao vivo em Tóquio no final dos anos 80.
Antecedentes e Sinopse
Milão, 1841-42. A temporada de ópera iniciara-se da forma mais auspiciosa com a estreia duma nova ópera de Donizetti, então no auge da sua carreira, Maria Padilla interpretada pelo famoso soprano alemão Sophie Loewe e pelo famosíssimo barítono Giorgio Ronconi, uma presença privilegiada no Scala. Maria Padilla de Donizetti teve 23 representações.
Seguiu-se Saffo de Paccini, ópera que tivera a sua estreia em Nápoles havia um ano.
A terceira ópera da temporada no entanto foi um fiasco. Tratava-se de Odalisa de Alessandro Nisi, um compositor que acabaria por abandonar a carreira para ocupar um modesto lugar de mestre de capela numa aldeia remota da península italiana.
A temporada do Scala prosseguiu com uma outra ópera de Donizetti, Belisario, escrita havia 5 anos, e cantada também por Ronconi e pelo célebre soprano Giuseppina Strepponi.
Ronconi e Strepponi que iriam estar presentes na última ópera da temporada, uma ópera que não fora sequer anunciada no cartellone (um calendário dos espectáculos que o Scala publicava todos os anos antes do início da temporada). Essa ópera fora escrita propositadamente para o Scala por um jovem compositor de 28 anos que, três anos antes, obtivera algum sucesso com a apresentação da sua primeira ópera naquele teatro, à qual se seguira uma segunda de carácter jocoso, recebida com bastante frieza.
Foi pois com um sentimento misto de expectativa e de temor que os frequentadores do Scala se dirigiram para o teatro naquela remota noite de Carnaval de 1842, dia 9 de Março.
Seguiria aquele jovem compositor o destino brilhante de Donizetti? ou iria tornar-se um mero fornecedor de óperas ao gosto da época como Paccini? ou seria que o esperava o fiasco? o futuro de mestre de capela numa remota aldeia da província como iria acontecer com Alessandro Nisi?
A verdade é que aquela noite iria ser decisiva, e o autor da ópera apresentada pela primeira vez no Scala no Carnaval de 1842, dia 9 de Março, iria tornar-se um verdadeiro ídolo do povo italiano, e seria considerado universalmente como o maior compositor de óperas da Itália.
Passados 60 anos sobre essa estreia memorável toda a população de Milão saiu para a rua para acompanhar o cortejo que levaria os restos mortais desse compositor para a sua última morada. Durante esse cortejo impressionante, no qual se incorporaram o coro e a orquestra do Scala, a multidão entoaria um trecho dessa ópera estreada nesse longínquo Carnaval de 1842, e cujas palavras pareciam ganhar uma nova carga simbólica. Estamos a falar do famoso coro dos escravos, e a ópera estreada no Scala há quase 160 anos era o Nabucco. O seu autor? Giuseppe Verdi.
Regressando a Nabucco recordamos que a sua estreia em Milão em 1842 ultrapassou todas as expectativas. O elenco era excelente com Ronconi no papel de Nabucco e com Giuseppina Streppone no de Abigaïl. À parte isso o teatro não tivera grandes preocupações com os cenários ou o guarda roupa que reciclara dum bailado sobre o mesmo tema. Mas o sucesso da ópera foi tão grande que não teria apenas as 8 representações previstas para essa temporada, entre o Carnaval e a Páscoa, mas regressaria no Outono acabando por bater todos os recordes do Scala com um total de 67 representações. É durante esse período que a ópera adquire o seu título definitivo abreviado, Nabucco, oficializado em 1844, já que o título original era "Nabuccodonosor".
Contrariamente ao habitual Nabucco não está dividida em actos mas em partes, cada uma sob um título específico, e apresentando determinada situação: Jerusalém, O Ímpio, A Profecia e O Ídolo Quebrado.
A acção desenrola-se durante o reinado de Nabuccodonosor II, Rei da Babilónia que subiu ao poder 605 anos antes de Cristo, e que foi o responsável pela reconstrução da cidade considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo. Cerca de 20 anos depois de ter sido coroado, Nabuccodonosor parte à conquista das terras de Judá destruindo o Templo de Salomão e fazendo numerosos prisioneiros que leva consigo para a Babilónia na condição de escravos.
A 1ª parte da ópera relata precisamente a invasão de Jerusalém e a destruição do Templo de Salomão – lugar onde a acção se desenrola.
Durante a sua estadia na Babilónia, onde fora embaixador, Ismael, filho do Rei dos Hebreus, apaixonara-se por Fenena, filha de Nabuccodonosor. Fenena tem uma irmã, Abigaïl, que também ama Ismael sem ser correspondida.
Quando a acção se inicia as tropas babilónicas já estão às portas da cidade. Os primeiros a chegar ao Templo são um grupo de Soldados disfarçados de hebreus e comandados por Abigaïl que, ao desejo de conquista junta o desejo de vingança. Ao ver Ismael lança-lhe um desafio dizendo que poupará o povo de Judá se ele aceitar o seu amor. Ismael recusa reafirmando o seu amor por Fenena. Nabuccodonosor entra a cavalo no Templo, e, ao vê-lo, o Sumo Sacerdote Zacarias ameaça matar Fenena, filha do Rei da Babilónia, se ele não desistir dos seus intentos. Nabuccodonosor desce do cavalo numa atitude aparentemente conciliatória, mas acaba por ordenar a destruição do Templo.
A 2ª parte da ópera tem o título de O Ímpio que simboliza a intenção blasfema de Nabuccodonosor se auto-proclamar Deus.
A acção desenrola-se na Babilónia para onde numerosos hebreus foram levados na condição de escravos. Nabuccodonosor deixou a cidade entregando o governo à sua filha Fenena. Ruída de inveja Abigaïl põe a saque o palácio acabando por descobrir um documento que prova que ela não é filha do Rei mas sim uma escrava que ele adoptara. O Sumo Sacerdote de Baal vem procurá-la para a informar que Fenena começou a libertar os escravos hebreus. Com o apoio do Sumo Sacerdote, Abigaïl planeia então tomar o poder.
Durante a noite Zacarias, Sumo Sacerdote Hebreu, procura Fenena nos seus aposentos para a converter ao judaísmo. No palácio reúnem-se os levitas na mesma altura em que Ismael se apresenta em busca de perdão: fora ele que impedira Zacarias de matar Fenena quando da invasão do Templo. Zacarias surge com a sua irmã Anna e com Fenena anunciando a conversão da princesa na mesma altura em que chega um mensageiro com a notícia da morte de Nabuccodonosor dizendo que o povo apoia Abigaïl como sua sucessora. Só que a morte do soberano é falsa, e Nabuccodonosor aparece no momento em que Abigaïl se preparava para assumir o Poder. Então o Rei anuncia renunciar ao deus Baal proclamando a sua própria condição divina. Quando Nabuccodonosor ordena que todos se inclinem para o adorar ouve-se um trovão terrível que lhe arranca misteriosamente a coroa. Zacarias exclama que os céus puniram o blasfemo, e diz que o Rei está louco. Aproveitando a confusão Abigaïl apodera-se da coroa dizendo que o povo de Baal não irá perder a sua grandeza.
A terceira parte da ópera denominada A Profecia decorre nos Jardins Suspensos da Babilónia. Abigail é proclamada regente e é instigada a condenar à morte os judeus, mas, antes disso, Nabucco entra atordoado. Abigail explica que está na função de regente porque o rei está impedido de reinar, e entrega-lhe a ordem de execução dos judeus, esperando que ele decrete a morte de Fenena, agora, convertida ao judaísmo. Nabucco assina, mas pergunta sobre o que vai acontecer a Fenena, e Abigail avisa que ela também vai morrer, juntamente com os outros judeus. Nabucco tenta mostrar o documento a Abigail dizendo que ela é uma impostora, mas ela já o tem em mãos e rasga-o em pedaços. Nabucco chama os guardas, mas não é atendido. Sem saída, roga clemencia a Abigail, que permanece irredutível. Enquanto isso, os hebreus descansam do trabalho escravo, diante das margens do Eufrates, e relembram sua pátria perdida. Zacarias anuncia que estarão livres do cativeiro em breve, e que Javé os ajudará a derrotar a Babilónia.
A quarta e última parte designa-se O Ídolo Destruído. Nabucco está nos seus aposentos e ouve gritar por Fenena. Ao olhar para a janela, vê que Fenena está a ser executada. Ao tentar abrir a porta, dá-se conta de que é prisioneiro. Neste momento, Nabucco implora perdão a Javé, rogando-lhe conversão, juntamente com seu povo. Nabucco recupra a razão, entra Abdalo que se certifica de que o rei é novamente ele próprio, e já está com todas as suas faculdades recuperadas.
Os carrascos preparam a execução de Zacarias e de seu povo. Fenena é aclamada como mártir, e na sua última prece, roga a Javé que a receba no céu. Nabucco acaba com a escravidão dos Hebreus e anuncia que ele próprio é um deles. A estátua de Baal é destruída e Abigail suicida-se, implorando a Ismael que se una novamente a Fenena. O povo reconhece o milagre, e direcciona louvores a Javé.
A gravação proposta foi captado ao vivo no Suntory Hall em Tóquio.
Fazem parte do elenco:
Nabucco - Renato Bruson
Ismaele - Fabio Armilato
Zaccaria - Ferruccio Furlanetto
Abigaille - Maria Guleghina
Fenene - Elena Zaremba
Gran Sacerdote - Carlo Striuli
Abdallo - Masatoshi Uehara
Anna - Taemi Kohama
Tokyo Opera Singers e a Tokyo Symphony Orchestra são dirigidos pelo maestro Daniel Oren.
Renato Bruson no papel de barítono tem uma prestação excelente e é um bom exemplo da importância da voz de Barítono na ópera verdiana.Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
Antecedentes e Sinopse: Antena 2
Attila - Giuseppe Verdi
Lançado pela editora Opus Arte em 2004, este DVD contém um récita da ópera Attila de Giuseppe Verdi ocorrida no Teatro alla Scala de Milão em 1991.O papel principal, Attila, foi escrito por Verdi para a voz de baixo.
Antecedentes e Sinopse
Foi em 1844, o mesmo ano da estreia de Ernani, que Verdi terá conhecido um drama romântico de Zacharias Werner, Attila, Rei dos Hunos, pelo qual se interessou e sobre o qual pensou escrever uma nova ópera. O libretista escolhido foi Solera, que com ele já colaborara em Oberto, Nabucco, I Lombardi e Giovanna d’Arco. Isto passava-se, como dissemos, em 1844. Mas, contrariamente ao habitual, a elaboração da ópera iria levar cerca de 2 anos. Entre outras menores contrariedades, o compositor adoeceu gravemente, e o libretista foi viver para Madrid antes de terminar o libreto. Então Verdi decidiu optar por Piave – que com ele trabalhara em Ernani, precisamente na sua primeira ópera destinada a Veneza. Enquanto Solera já possuía o seu próprio esquema para os seus libretos, Piave era mais flexível, mais aberto e atento às vontades do compositor. Solera já deixara o libreto quase pronto faltando apenas o 3º acto do qual deixara apenas um esboço. Verdi aconselhou Piave a ignorar esse esboço, o que Solera reprovaria.
Attila estreia no Teatro Fenice de Veneza no dia 17 de Março de 1846.
A acção situa-se no ano 452 da Era Cristã, e a ópera inicia-se quando Attila, o flagelo divino, invadiu a Itália e saqueou Aquília. Entre as ruínas fumegantes da cidade os Hunos e os Ostrogodos saqueiam e cantam louvores a Votan e ao rei.
No prólogo, Attila chega triunfante e felicita-os sendo aclamado como o enviado e o profeta de Votan. Desobedecendo a uma ordem de Attila para que não dessem quartel, Uldino, um escravo bretão, poupou a vida a um grupo de mulheres que tinham participado na batalha, e vem oferecê-las ao rei como presas de guerra. Quem lidera essas mulheres é Odabella, filha do Senhor de Aquília, morto às mãos do invasor. Attila manifesta a sua admiração pela coragem com que elas o enfrentaram, ao que Odabella responde dizendo que as mulheres da Itália estão sempre prontas a defender a sua pátria. Impressionado Attila dispõe-se a conceder-lhe o que ela pedir. E Odabella pede-lhe uma espada. Attila entrega-lhe então a sua própria arma que a mulher aceita com entusiasmo fazendo sobre ela de imediato um voto: o de usá-la na sua vingança.
Depois da saída das mulheres Attila manda chamar o enviado de Roma, o general Ezio, a quem respeita como adversário e como soldado. Ezio pede que a audiência seja privada. Diz que o Imperador de Constantinopla está velho e enfraquecido. Valentiniano, que reina a Ocidente, é ainda um adolescente. É por isso que propõe um acordo secreto: Attila poderá conquistar o mundo inteiro desde que ele, Ezio, possa conservar a Itália. Attila recusa essa proposta desleal: um povo tão cobarde precisa ser castigado pelo representante de Votan. Ezio ainda tenta recuar para o seu papel de mensageiro de Roma, mas Attila diz que a cidade será arrasada, ao que Ezio responde desafiando-o.
De madrugada, sobre uma praia deserta do Adriático, desencadeia-se uma tempestade. Quando a tempestade se acalma os ermitas saem das suas cabanas e começam a rezar diante dum altar feito de pedras. O céu torna-se mais claro, e começam a chegar embarcações com refugiados da Aquília conduzidos por Foresto, saudado como o salvador. Mas Foresto está inquieto com o destino de Odabella, a sua noiva, dizendo preferir que ela tivesse morrido do que caído nas mãos dos Hunos. O sol começa a brilhar, e os fugitivos pedem a Foresto que interprete este sinal como uma promessa de esperança. Como resposta Foresto pede aos seus companheiros de infortúnio que construam uma nova cidade naquele preciso local, uma cidade renascida das cinzas, como Fénix.
O 1º acto inicia-se num bosque próximo do acampamento que Attila montou junto de Roma. Odabella chora o seu pai que julga ver nos desenhos das nuvens. Em seguida recorda Foresto, que também pensa ter morrido. Mas Foresto aparece diante da jovem disfarçado de Huno. Louca de alegria Odabella vai lançar-se nos seus braços, no que, para sua surpresa, é repelida. Foresto acusa-a de traição. Ele atravessou perigos inimagináveis para chegar até ela e vê-la sorridente diante do assassino do seu pai. Então Odabella recorda-lhe a história bíblica de Judite e de Holoferne, convencendo-o da sua inocência e da sua determinação em se vingar. Foresto pede-lhe perdão e os dois caem nos braços um do outro.
Próximo dali Attila acorda na sua tenda e conta ao escravo Uldino o sonho aterrador que tivera. Ele vira, diante das portas de Roma, um velho enorme que lhe barrava o caminho gritando: "Até agora a tua missão era castigar os mortais. Retira-te! Este solo é Reino dos Deuses!" Recuperando a calma, e envergonhado dos seus medos, Attila ordena a imediata reunião dos exércitos, e, ao som de trombetas, avançam sobre Roma entoando cantos de louvor a Votan.
Esses cantos acabam por se misturar com outros cantos muito diferentes: é uma procissão cristã, jovens e crianças vestidas de branco que transportam ramos, guiadas pelo Bispo Romano Leone que Attila reconhece como o velho do seu sonho. Aterrado o Rei dos Hunos julga ver diante de si São Pedro e São Paulo empunhando espadas de fogo, e cai prostrado no chão. Os soldados olham-no estupefactos, e os cristãos saúdam o Poder do Deus Eterno.
O 2º acto começa no acampamento romano onde Ezio lê uma ordem do Imperador que o informa de que foi estabelecida uma trégua com os Hunos, e que deve regressar a Roma. Humilhado por ser tratado assim por uma criança mais assustada pelas próprias tropas do que pelos exércitos dos Hunos, Ezio medita amargamente sobre o contraste que existe entre a glória passada e a actual decadência de Roma. Chegam uns escravos de Attila que o vêm convidar para um banquete onde deverão também estar presentes os seus capitães. Um deles, Foresto, deixa-se ficar para trás e pede a Ezio que os seus homens estejam a postos para atacar os Hunos durante a festa mal virem brilhar uma luz sobre as montanhas. Esta notícia deixa Ezio empolgado perante a perspectiva de poder vingar a pátria. Talvez morra durante a batalha mas pelo menos o seu nome ficará para a posteridade como o último dos Romanos.
Segue-se a cena do banquete no acampamento de Attila onde os Hunos aclamam o seu rei. Ouvem-se as trompas que anunciam a chegada dos convidados, e Attila levanta-se para os receber. É então que os druidas lhe segredam que Votan os advertiu para que não se sente à mesma mesa com os seus antigos inimigos. Mas Attila afasta-os com impaciência, e ordena às sacerdotisas que cantem e dancem. Mal elas terminam os seus cantos uma violenta rajada de vento apaga a maior parte dos archotes que iluminavam a mesa do banquete. Na confusão que se segue Ezio volta a apresentar a Attila a sua proposta que é novamente recusada pelo Huno com desprezo.
Foresto revela a Odabella que Uldino irá em breve oferecer a Attila uma taça de vinho envenenado. Isso roubará a Odabella a sua vingança. Assim, quando as tochas voltam a brilhar, e que Attila se prepara para beber em honra de Votan, a jovem interrompe-o avisando-o de que o vinho está envenenado. Furioso Attila quer saber o nome do responsável. Foresto aproxima-se rindo das ameaças de morte, e Odabella pede como recompensa de ter salvo a vida ao rei, que lhe seja entregue a ela o poder sobre a vida de Foresto. Attila aceita, e, como testemunho da sua gratidão, compromete-se a tornar Odabella a sua rainha. Odabella diz a Foresto que fuja, e Foresto jura vingar-se daquele gesto da jovem que interpretou como traição. O acto termina com os Hunos pedindo a Attila que retome o combate contra os pérfidos romanos.
O último acto começa num bosque, de madrugada. Foresto está só à espera que Uldino lhe traga notícia da hora em que terá lugar o casamento de Attila com Odabella. É informado de que o cortejo está já muito próximo, e revolta-se com a ideia de que uma jovem tão bela e tão pura o tenha traído daquela forma. Chega então Ezio dizendo que os seus homens esperam apenas um sinal para atacar os Hunos. Ao longe ouve-se o hino nupcial. Odabella aparece, lavada em lágrimas, implorando ao pai que lhe perdoe por ir casar-se com o seu assassino. Foresto diz-lhe que é tarde de mais para se arrepender, ao que Odabella responde dizendo que foi sempre a ele que ela amou.
Aparece então Attila em busca da sua futura esposa, que encontra com Ezio e Foresto, acusando os três de ingratidão e de traição. Enquanto se ouve o clamor dos romanos no seu ataque aos Hunos, Odabella apunhala Attila. "Até tu, Odabella?" – diz ele. Mas estas últimas palavras do rei são apagadas pelos gritos de triunfo dos romanos que encontraram finalmente a vingança.
Fazem parte do elenco desta gravação:
Attila - Samuel Ramey
Ezio - Giorgio Zancanaro
Odabella - Cheryl Studer
Foresto - Kaludi Kaludov
Uldino - Erneto Gavazzi
Leone - Mario Luperi
A orquestra e coro do Teatro alla Scala de Milão são dirigidos pelo maestro Riccardo Muti.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
Antecedentes e Sinopse: Antena 2
terça-feira, 27 de Maio de 2008
Vincenzo Bellini
Vincenzo Salvatore Carmelo Francesco Bellini, nasceu em Catânia na Sicília (Itália) a 3 de Novembro de 1801. Conjuntamente com Donizetti e Rossini, foi um compositor que marcou o período designado na ópera por Bel canto.Bellini foi, desde muito jovem considerado uma criança prodígio. Sem confirmação histórica, conta-se que com dezoito meses interpretava uma ária de Valentino Fioravanti, que iniciou os seus estudos musicais apenas com dois anos e estudos de piano aos três anos. Conta-se ainda, que compôs pela primeira vez ao seis anos.
Embora a veracidade destes factos possa ser posta em causa, a verdade é que Bellini desde muito cedo iniciou os seus estudos musicais e que tal facto permitiu que viesse a compor um pequeno conjunto de óperas de grande qualidade e que são, ainda hoje, uma referência.
Premiado com uma bolsa de estudo do Governo de Catânia, Bellini parte aos dezoito anos para Nápoles, onde inicia estudos no Conservatório. Durante esta altura os trabalhos de Mozart e de Haydn foram uma referência para o jovem compositor.
Como era prática comum no Conservatório de Nápoles, os jovens mais promissores apresentavam os seus trabalhos ao público. Foi neste contexto que Bellini estreou a sua primeira ópera Adelson e Salvini no teatro do Conservatório em 1825. Devido ao sucesso deste primeiro trabalho, o compositor foi convidado a escrever uma nova ópera para ser apresentada no Teatro San Carlo de Nápoles. Em 1826 estreia Bianca e Gerando no San Carlo, mais uma vez com enorme sucesso (mais tarde a ópera é revista e estreia em Génova em 1828 como Bianca e Fernando).
do empresário do Teatro alla Scala de Milão, Barbaia, para um novo trabalho.
Il Pirata (1828), a terceira ópera do compositor, marca o seu sucesso em Milão e o inicio da colaboração com Felice Romani (libretista e poeta), com quem virá a colaborar em todas as óperas seguintes. Para além de Felice Romani, Il Pirata contou na estreia com a participação do tenor Giovanni Battista Rubini que interpretou a personagem de Gualtiero. A voz de Rubini viria a servir mais tarde de inspiração para vários papeis para tenor nas óperas de Bellini.
Entre 1827 e 1833, Bellini permanece em Milão onde estreia a ópera La Straniera (1828), cujo sucesso foi ainda maior que o de Il Pirata. Durante este período compõe e estreia as óperas Zaira (Parma 1829) e I Capuletti e i Montecchi (Veneza 1830) baseada na peça Romeu e Julieta de William Shakespeare. Zaira não teve muito sucesso, mas I Capuletti e i Montecchi foi muito bem aceite em Veneza.
As três óperas mais famosas de Bellini são La Sonnambula (Milão 1831), Norma (Milão 1831) e I Puritani (Paris 1835).
A ópera Beatrice di Tenda, estreada em Veneza no ano de 1833 não teve tanto sucesso. E mesmo nos dias de hoje não é muito apresentada nos teatros líricos.
Depois da estreia da sua décima ópera, I Puritani, o compositor morre prematuramente em Paris a 23 de Setembro de 1835, com apenas 33 anos de idade.
A linha melódica de uma beleza inigualável aliada a passagens rápidas de coloratura, de que a ária Casta Diva da ópera Norma é um exemplo, são uma marca que Bellini deixou e que o destingue de outros compositores seus contemporâneos como Donizetti e Rossini.
Alberto Velez Grilo
Foto: archive.operainfo.org
Norma - Vincenzo Bellini
A ópera Norma de Vincenzo Bellini teve a sua estreia no Teatro alla Scala de Milão em Dezembro de 1831 constituindo, essa primeira apresentação, uma decepção para Bellini que esperava que ela fosse recebida com um entusiasmo igual ao das óperas que apresentara anteriormente naquele mesmo teatro. No entanto, nos espectáculos que se seguiram o interesse do público foi crescente acabando por transformar num triunfo aquilo que parecera um fracasso sem futuro.
Um ano antes, na Primavera de 1830, ao ser convidado pelo empresário do Scala para escrever duas óperas para serem apresentadas no Outono desse ano e no Carnaval do ano seguinte, Bellini escolheu uma tragédia dum dramaturgo francês, Alexandre Soumet, que estava a obter um enorme sucesso em Paris no Teatro Odeon. O libretista foi Felice Romani, e o papel principal destinava-se à grande Giuditta Pasta (soprano), considerada a maior cantora do seu tempo. O papel de Norma é, de facto, um dos mais difíceis de toda a história da ópera, e não apenas da ópera italiana.
A acção de Norma passa-se na Gáulia durante a ocupação romana, cerca de 50 anos antes de Cristo.
No primeiro acto, os Druidas esperam a chegada de Norma, a Sacerdotisa, que lhes irá dar o sinal para se revoltarem contra os ocupantes. Norma mantém uma ligação secreta com Pollione, um romano, do qual tem dois filhos. Norma não sabe, mas Polione ama agora outra mulher, Adalgisa, uma jovem sacerdotisa. Os Druidas transmitem a Norma a decisão que tomaram: quando ela der o sinal, eles matarão os ocupantes, começando por Pollione. Norma diz aceitar essa decisão mas, quando fica só, declara o seu amor pelo romano.
O segundo quadro passa-se junto da casa de Norma que esconde os filhos ao ouvir alguém aproximar-se. É Adalgisa que lhe vem pedir para a libertar dos seus votos, confessando estar possuída por um amor proibido. Norma cede ao pedido de Adalgisa, e pergunta que amor é esse que a leva a tomar uma tal decisão. Adalgisa diz que é um romano que pretende levá-la consigo para Roma, e aponta Pollione que acaba de chegar para visitar os filhos. Ao compreender o que se passa, Norma revela o seu terrível segredo dizendo que também ela fora seduzida por aquele homem, e expulsa Pollione dizendo-lhe para partir sozinho para Roma.
O 2º acto inicia-se quando a Sacerdotisa, num acesso de raiva, tenta, em vão, arranjar coragem para matar os próprios filhos. Acaba por pedir auxílio a Adalgisa dizendo-lhe para partir para Roma com Pollione levando com ela as crianças nascidas da sua ligação com o oficial romano. Adalgisa aceita. Entretanto os Druidas reúnem-se e decidem pôr os seus planos em execução sem demoras antes que Pollione parta, já que dizem que o Consul que o vem substituir é ainda mais cruel. Do campo romano chegam notícias que dizem que Polione está prestes a partir pretendendo levar consigo Adalgisa contra sua vontade, mas recusando-se a levar os filhos de Norma.
A Sacerdotisa revolta-se e diz aos Druidas ter chegado a hora de agir. Pollione é preso, mas, quando o Chefe dos Druidas se prepara para o matar, Norma intervém dizendo que ela mesma o fará. Quando fica a sós com Pollione, Norma pretende libertá-lo, desde que ele prometa partir sem Adalgisa. Pollione recusa. Então Norma regressa ao Templo e confessa a sua traição e a sua culpa, dizendo dever ser sacrificada. A ópera termina com a morte de Norma e de Pollione que decide acompanhá-la no sacrifício.
Lançado pela editora Decca em 2002, esta gravação de estúdio de Norma constitui uma referência. No papel de Norma, Joan Sutherland, uma das maiores interpretes de sempre desta ópera. Para além de Sutherland, Maria Callas, Montserrat Caballé e, porventura, de Edita Gruberová constituem referências nesta ópera.Nesta versão de estúdio, gravada em 1964, contamos como uma Sutherland no topo da sua forma. De notar que Norma é uma das óperas mais difíceis para soprano.
Fazem parte do Elenco:
Norma - Joan Sutherland
Pollione - John Alexander
Adalgisa - Marilyn Horne
Oroveso - Richard Cross
Clotilde - Yvonne Minton
Flavio - Joseph Ward
O coro e orquestra Sinfónica de Londres dirigidos pelo Maestro Richard Bonynge.
Lançado pela Arthaus Musik, este DVD da Norma de Bellini foi captado na ópera de Sidney em Agosto de 1978.Constituem o elenco:
Norma - Joan Sutherland
Pollinone - Ronald Stevens
Oroveso - Clifford Grant
Flavio - Trevor Brown
Adalgisa - Margreta Elkins
Clotilde - Etela Piha
The Australian Opera Chorus e a Elizabethan Sidney Orchestra são dirigidos pelo Maestro Richard Bonynge.
Alberto Velez Grilo
Fotos: www.amazon.co.uk
Antecedente e Sinopse: Antena 2
terça-feira, 20 de Maio de 2008
Bobby McFerrin
Bobby MacFerrin nasceu em Madeley, Inglaterra, a 11 de Março de 1950. Em criança passou a viver em Nova Iorque e, por isso, é muitas vezes identificado como americano. O pai de Bobby McFerrin, Robert McFerrin, foi um famoso barítono e foi o primeiro afro-americano a cantar regularmente no Metropolitan Opera.Bobby McFerrin é conhecido por ser detentor de uma voz fora do que considerado comum. Com uma extensão de 4 oitavas, McFerrin alterna muitas vezes a sua voz de peito com o falsete transmitindo um sensação de polifonia, isto é, o músico perece conseguir cantar duas notas diferentes ao mesmo tempo.
Outra característica interessante é que muitas vezes se apresenta em palco sem qualquer instrumento musical para acompanhamento, interpretando os seus temas à capela. Utiliza também batimentos no peito para complemento à sua voz.
Para além destes concertos a solo, Bobby McFerrin é, desde 1990, regularmente convidado para dirigir orquestra sinfónicas em digressões pelos Estados Unidos e Canadá, nomeadamente a Orquestra Sinfónica de São Francisco, a Filarmónica de Nova Iorque, a Sinfónica de Chicago, a Filarmónica de Los Angeles e Filarmónica de Londres, entre outras.
Mesmo nos concertos com estas orquestras, McFerrin não deixa de utilizar a sua capacidade de improviso, interpretando vocalmente as partituras de alguns instrumentos. Os seu concertos terminam usualmente com a abertura da ópera Guilherme Tell de Rossini com os instrumentistas a interpretarem vocalmente as partituras de cada instrumento.
McFerrin ganhou durante a sua carreira 8 Grammys.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.bobbymcferrin.com
Paper Music - Bobby McFerrin
O álbum Paper Music foi lançado pela editora Sony Classic em 1995. Embora já com algum tempo, o CD ainda é relativamente fácil de obter nas lojas da especialidade ou nas lojas on-line.Neste trabalho estão evidenciadas duas facetas de Bobby McFerrin, a regência de orquestra e a voz.
McFerrin dirige a Saint Paul Chamber Orchestra, interpretando temas de Mozart, Boccherini, Fauré, Stravinsky, Vivaldi, Mendelssohn, Bach e Tchaikovsky.
Alguns dos temas contêm arranjos de McFerrin que interpreta vocalmente as partituras de alguns instrumentos.
Com estas duas variantes, este trabalho demonstra a capacidade vocal e de regência de McFerrin.
Fazem parte do CD:
Overture of The Marriage of Fígaro - W.A. Mozart
Minuet from String Quintet Nº 1 - L. Boccherini (voz e arranjos: Bobby McFerrin)
Pavane - G. Fauré (Voz: Bobby McFerrin)
Minuetto & Finale from Pulcinella Suite - I. Stravinsky
Concerto in G (Sol) minor for 2 Cellos Strings and Continuo - A. Vivaldi (voz: Bobby McFerrin)
Scherzo from A Midsummer Night's Dream - F. Mendelssohn
First Movement from Concerto for Violin, Strings and Continuo - J.S. Bach (Voz: Bobby McFerrin)
Eine Kleine Nachtmusik - W. A. Mozart
Andante Catabile for Cello and String Orchestra - P.I. Tchaicovsky (Voz: Bobby McFerrin)
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
Bobby McFerrin Live in Montreal
O DVD Live In Montreal com Bobby McFerrin foi gravado no Festival de Jazz de Montreal (Canadá) em 2003.Sozinho em palco e sem qualquer acompanhamento, este concerto lançado em DVD em 2005 é um excelente exemplo das capacidades vocais de Bobby McFerrin.
Com os seus improvisos vocais, o cantor conquista o exigente público da primeira à última das suas interpretações.
Embora, este seja um concerto essencialmente a solo, Bobby McFerrin contou naquela noite com alguns convidados surpresa. Surpresa para o público e surpresa para o próprio. A sua capacidade de improviso é amplamente posta à prova quando os convidados são uma trapezista, uma violoncelista, um guitarrista, um coro polifónico e um bailarino de sapateado.
Para além destas surpresas, o cantor interage com o público e "força" a sua participação no espectáculo. Um momento alto do concerto foi a interpretação da famosa Ave Maria de Bach/Gounod em que McFerrin interpreta a partitura de Bach (primeiro prelúdio) enquanto o publico interpreta a partitura que Gounod escreveu "em cima" do prelúdio.
Fazem parte do DVD os seguintes temas:
Little Red Book - Improviso
Improvisation with the people on stage - Improviso
Improvisation with Êvelyne Lamontagne on the trapeze (extracts from the opera Carmen) - Improviso
Improvisation with the audience - Improviso
Improvisation with Jorane: Riopel - Improviso
Improvisation: Gonna move - Improviso
The Jump
Drive Ave Maria
Dina Lam - with Richard Bona
Improvisation with Richard Bona - Improviso
Country stuff - Improviso
Baby
Improvisation with Tamango: Well you needn't - Improviso
Bwee do
With Le grand Coeur de Monreal: It's a wonderful world
Circlesong one
Somewere over the rainbow
The wizard of Oz Medely Melody from sun concert 5
Sings walking of stage
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
terça-feira, 13 de Maio de 2008
Marilyn Horne
Marilyn Horne nasceu nos Estados Unidos da América em Bradford (Pennsylvania) a 16 de Janeiro de 1934. Desde muito cedo na sua vida foi influenciada pelo pai a prosseguir o seu sonho de se tornar cantora de ópera. Aliás, o pai, até morrer, teve sempre um papel bastante importante na carreira da cantora.Aos treze anos, depois da família se ter mudado para Long Beach na Califónia, integra o Los Angeles Concert Youth Chorus, onde sempre teve um papel de destaque como Soprano.
Mais tarde estuda canto com William Vennard na University of Southern California em Los Angeles onde assiste também às Master Classes de Lotte Lehmann.
Embora tenha iniciado os seus estudos como Soprano, cedo os seus professores compreenderam que as suas características vocais se adequavam mais a um registo de Mezzo-soprano.
Embora, caracterizada como Mezzo-soprano, isto é, uma voz mais encorpada nos registos médio e grave que a do Soprano, mas com um registo agudo praticamente igual, a voz de Marilyn Horne é bastante mais que isso. O seu registo grave, bastante poderoso, leva-nos muita vezes a pensar a sua voz como Contralto, a voz feminina de registo mais grave. Outra característica importante da voz da cantora é a sua agilidade em qualquer dos registos. A voz, com uma extensão rara de mais de três oitavas, é capaz de executar passagens extremamente rápidas, ou seja, Marilyn Horne deve ser considerada um Mezzo-soprano de Coloratura, mas com uma potência muito apreciável, característica rara na maioria deste tipo de Mezzo-sopranos.
A cantora debutou na ópera aos vinte anos de idade (1954) no papel de Hata na ópera The Bartered Bride de Smetana na ópera de Los Angeles. Ainda nesse ano deu voz a Carmen de Bizet em versão de filme, papel que foi interpretado pela actriz Carmen Jones.
Depois da morte de seu pai, em 1957, Marilyn Horne parte para a alemanha, onde assina contrato com a companhia de ópera de Gelsenkirchen e onde se mantém durante 3 anos, interpretando papeis de soprano nomeadamente, Mimi (La Bohème - Puccini), Guilietta (Tales of Hoffmann - Offenbach) e Amélia (Simon Boccanegra - Verdi). Destaca-se nesta altura a sua interpretação de Marie na ópera Wozzeck do compositor austríaco Alban Berg. Os aplausos dos críticos a esta interpretação (que a cantora nem queria fazer), valeram-lhe o regresso aos Estados Unidos a convite da ópera de S. Francisco. A cantora deixa a Alemanha em 1960.
A sua interpretação de Marie na ópera Wozzeck é amplamente aclamada pelo público e pela crítica nos Estados Unidos e Marilyn Horne passa a ser conhecida internacionalmente.
Em 1961, a cantora aparece pela primeira vez acompanhada pelo soprano Joan Sutherland, com quem viria durante a sua carreira a interpretar inúmeras óperas. Aliás, Joan Sutherland e Marilyn Horne ficarão para a história como duas das vozes que mais se completam. No ano de 1961 Horne interpreta a personagem de Agnese (Mezzo-soprano) da ópera Beatrice di Tenda de Bellini com Joan Sutherland como Beatrice.
Depois do êxito no papeis de Marie e Agnese, a cantora estreia-se nos mais importantes palcos operáticos do mundo. Salientam-se as suas interpretações com Joan Sutherland nas óperas Norma e Semiramide de Bellini e Rossini, respectivamente.
A cantora é por muito críticos considerada a melhor interprete dos papeis de Rossini para Mezzo-soprano, com destaque para Rosina do Barbeiro de Sevilha, Falliero da ópera Bianca e Falliero (papel para contralto), Isabella de L'italiana In Algeri, Arsace da ópera Semiramide, Tancredi da ópera homónima e Angelina de La Cenerentola.
Importa também referir a interpretação de Rinaldo personagem da ópera homónima de Handel, que a cantora interpretou no Metropolitan de Nova Iorque e que nunca aí tinha sido interpretada neste palco operático.
Marilyn Horne retirou-se dos palcos em 1999 com um recital no Chicago Symphony Center. Tem hoje uma fundação com o seu nome que ajuda a preservar a arte dos recitais vocais e que se dedica também ao ensino.
A cantora ficará na história como um dos melhores Mezzo-sopranos de sempre.
Alberto Velez Grilo
Foto:www.deccaclassics.com
The Spectacular Voice of Marilyn Horne
The Spectacular Voice of Marilyn Horne foi lançado pela Decca em 1998 com reedição posterior integrada no conjunto de 11 CD's intitulado Marilyn Horne - The Complete Decca Records em Março de 2008.As capacidades vocais da cantora para interpretação de várias árias de Rossini para Mezzo-soprano e Contralto são claramente evidenciadas neste álbum. A agilidade e potência vocais com que Marilyn Horne interpreta Rossini fazem deste trabalho uma obra essencial para os apreciadores do Bel canto iltaliano.
Fazem parte do CD os seguintes temas:
Bel raggio lusinghier - Semiramide
Cruda Sorte! - L'italiana in Algeri
Di tanti palpiti - Tancredi
Nacqui all'affanno...Non più mesta - La Cenerentola
Mura felici - La donna del lago
Tanti affetti - La dona del lago
L'ora fatal s'apressa... Guisto ciel! - L'assedio di Corinto
Avanziam... Non temer, d'un basso affetto... I destini tradir ogni speme!... Signor, che tutto puoi... Sei tu che stendi, o dio - Lássedio di Corinto
Embora com edição de 1998, ainda é relativamente fácil encontrar este álbum nas discotecas ou em lojas on-line.
Para uma visão geral da carreira de Horne, o conjunto de 11 CD's The Complete Decca Records é uma referência.
Alberto Velez Grilo
Foto:www.amazon.co.uk
L'italiana in Algeri - Marilyn Horne
Lançado pela Deutsche Grammophon no final de 2006 este duplo DVD apresenta-nos um récita da ópera L'italiana in Algeri ocorrida no Metropolitan de Nova Iorque a 11 de Janeiro de 1986.L'italiana in Algeri é uma ópera cómica de Gioachino Rossini com libretto italiano em dois actos de Angelo Anelli e estreada no ano de 1813 no Teatro de San Benedetto de Veneza.
Espontânea e desenvolta, a comédia distingue-se pelo argumento delirante, no qual sobressai a agilidade das peripécias e o hábil desenho das personagens, enquadrados por um ambiente oriental.
Sinopse
Elvira, mulher de Mustafà, Rei de Argélia, confidencia tristemente à sua escrava Zulma que o marido já não a ama. Quando Mustafà entra, acompanhado por Haly, capitão dos corsários, Elvira tenta falar-lhe, mas o Rei ordena-lhe que se retire para os seus aposentos com Zulma e os eunucos. Para se ver livre dela, resolve dá-la em casamento ao seu escravo italiano, Lindoro, sem atender às razões de Haly, acaba por ordenar a este que lhe arranje uma italiana, daquelas que tanto arreliam os seus apaixonados, farto que estava de mulheres dóceis e modestas. Concede-lhe seis dias para o conseguir ou espera-o a morte.
Lindoro, que recorda Isabella, a sua noiva que ficara em Itália, não se sente nada entusiasmado com a proposta de Mustafà e tenta escapar à vontade de Rei, mas este, entre lisonjas e ameaças, obriga-o a segui-lo para admirar a mulher que decidira dar-lhe por esposa.
Entretanto, um navio italiano naufraga na costa e Haly acorre para o pilhar e fazer prisioneiros. Entre estes encontram-se Isabella, vinda por mar à procura de Lindoro, e Taddeo, que a acompanha como seu admirador e que ela, para o salvar da morte, faz passar por seu tio. Haly anuncia à bela italiana que será apresentada ao Rei e que se tornará a rainha do seu harém. Taddeo fica horrorizado, mas Isabella assegura-lhe que com a sua astúcia feminina e desenvoltura saberá fazer frente àquele terrível Mustafà.
Numa sala do palácio, o Rei informa Lindoro que um navio veneziano acaba de pagar o seu resgate e que se o jovem deseja voltar à pátria, se apresse a levar Elvira e que, além disso, dar-lhe-à tanto ouro que ficará riquíssimo. Com notícia que lhe traz Haly que entre os prisioneiros do navio naufragado se encontra uma formosíssima italiana, Mustafà, radiante, afasta-se com o seu séquito para ir recebê-la dignamente, enquanto Lindoro procura convencer Elvira a esquecer o marido ingrato e a segui-lo para Itália, onde poderá ter os amantes que quiser.
Isabella é apresentada a Mustafà, que de imediato se apaixona. Ela finge corresponder a fim de tirar as maiores vantagens da situação. Entretanto entram Lindoro e Elvira, para se despedirem do Rei. O encontro imprevisto faz inflamar ainda mais o coração dos dois jovens. Mas Isabella não perde a cabeça e, ao saber por Mustafà que a sua ex-mulher e o seu escravo vão partir para Itália, simula uma grande indignação. Se Mustafà quer ter uma atitude digna, que fique com Elvira e que ponha o escravo Lindoro ao seu serviço. Mustafà, fascinado por Isabella, cede à sua vontade provocando o espanto geral.
Elvira, Zulma, Haly e um grupo de eunucos comentam a condescendência de Mustafà e a esperteza de Isabella, que poderá ser útil à causa de Elvira. Mustafà, entrando a seguir, afirma que saberá conquistar a bela italiana, excitando a sua ambição. Na sala deserta, encontram-se Isabella e Lindoro, o qual assegura à sua bem amada que nunca tencionara atraiçoá-la e que a projectada viagem a Itália com Elvira era apenas um estratagema para poder voltar para junto dela.
Isabella arquitecta então um plano com Lindoro para abandonarem a Argélia e fugirem juntos no mesmo barco para Veneza. saem os dois e entra Mustafà que, cada vez mais apaixonado por Isabella, decide atribuir a Taddeo, que naturalmente julga seu tio, o título de Kaimakan. Em troca, este deverá ajudá-lo a conquistar Isabella. Tadeo, obrigado a escolher entre a tortura e a tarefa humilhante de fazer de alcoviteiro, aceita o título prestigioso, respeitado por todos.
Num maravilhoso aposento junto ao mar, Isabella veste-se à turca. Conversando com Elvira, ensina-lhe a maneira mais conveniente para conservar um marido. É necessário dominar os homens e não ser dominada. Mustafà, à parte, ordena a Lindoro que conduza Isabella à sua presença e Taddeo que lhe faça companhia e se retire assim que ele fizer sinal, espirrando. Isabella entra, murmurando palavras ternas a Mustafà, que espirra várias vezes, mas Taddeo finge não ouvir. Então Isabella, divertida com a situação, manda servir o café em três chávenas, uma das quais destinada a Elvira. Mustafà mostra-se muito aborrecido com a presença de Elvira, mas Isabella recorda-lhe a sua promessa de ser gentil com a esposa e o Rei, obrigado a condescender para não irritar a bela e prepotente italiana, começa a suspeitar que está ser alvo de troça.
Enquanto Haly louva a inteligência e a astúcia das mulheres italianas, Lindoro e Taddeo (que não descobriu ainda que o escravo é o noivo de Isabella) asseguram a Mustafà que Isabella está apaixonadíssima por ele e que o quer nomear, com grande pompa e solenidade, o seu Pappataci (Come e cala). O Rei fica muito lisonjeado, mesmo sem saber o que significa aquele título. Os dois explicam-lhe que se trata de um título muito considerado em Itália reservado aos conquistadores irresistíveis. Um verdadeiro Pappataci deve pensar somente em comer, beber, dormir e divertir-se.
Isabella, que obteve do Rei os escravos italianos para preparar a cerimónia, disfarça alguns de Pappataci. Encarrega outros de se manterem no barco prontos para a fuga e informa todos da partida que pretende pregar a Mustafà. Taddeo ajuda-a, convencido naturalmente de que ela deseja enganar Mustafà por amor dele.
Inicia-se a cerimónia. Mustafà, vestindo solenemente de Pappataci e lisonjeado por se encontrar no meio de tantos italianos com o mesmo título, promete observar escrupulosamente o regulamento da ordem. Deve jurar não ver, não ouvir e não se intrometer, comer e gozar apenas. Fingem depois pô-lo à prova. Isabella e Lindoro trocam frases amorosas e ele, obedecendo às ordens, continua a comer sem se preocupar com o que acontece. Quando um navio acosta ao palácio, Lindoro, Isabella e os escravos italianos entram nele à pressa, enquanto Taddeo apercebendo-se finalmente que Lindoro é o noivo da mulher que serviu com tanta devoção, procura despertar Mustafà para que ele impeça a fuga dos dois apaixonados. Mas Mustafà mantém-se fiel ao juramento dos Pappataci. De novo, Taddeo tem de escolher entre a tortura de ficar, e a humilhação de auxiliar os objectivos de Lindoro e Isabella; escolhe a humilhação e embarca com os outros.
Acorrem entretanto Elvira, Zulmira e Haly com os eunucos completamente embriagados (obra também de Isabella), aos quais Mustafà, dando-se conta de que foi enganado, ordena inutilmente que prendam os fugitivos, que se afastam já no barco. "Mulheres italianas nunca mais!", afirma Mustafá, resignado. Pedindo perdão, volta para junto da sua dócil esposa Elvira.
Elenco
Mustafà - Paolo Montarsolo
Elvira - Myra Merrit
Zulma - Diane Kesling
Haly - Spiro Malas
Lindoro - Douglas Ahlstedt
Usabella - Marilyn Horne
Taddeo - Allan Monk
Coro e Orquestra do Metropolitan sob a direcção de James Levine.
Marylin Horne conquista mais uma vez o publico do Metropolitan com a sua interpretação de Isabella. Aliás Horne apresentava-se no Met regularmente nesta ópera, aliás das 46 vezes que a ópera tinha sido levado à cena, Horne foi a protagonista de 36.
Alberto Velez Grilo
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Sinopse baseada em texto do blogue guiadosteatros.blogspot.com
terça-feira, 6 de Maio de 2008
Tom Jobim
António Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, nasceu no Rio de Janeiro a 25 de Janeiro de 1927 e é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e um dos criadores do movimento ou estilo Bossa Nova.O trabalho de Tom Jobim destaca-se não só na composição, mas também nas suas actividades como maestro, pianista, cantor e guitarrista.
Pensou em trabalhar como arquiteto e chegou exercer esta actividade, mas cedo abandonou a arquitectura e começou a tocar em bares do Rio de Janeiro como pianista. Em 1952 foi contratado pela editora discográfica Continental como arranjador. É por volta desta altura que surgem as suas primeiras composições. O primeiro tema gravado foi Incerteza com letra de Newton Mendonça e voz de Mauricy Moura. O primeiro grande sucesso seria Tereza na Praia com Lúcio Alves e Dick Farney.
Em 1956 musicou a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça fez bastante sucesso a canção antológica Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada inumeras vezes.
Tom Jobim fez parte do núcleo embrionário da Bossa Nova. O álbum Canção do Amor Demais de 1958 em parceria com Vinícius de Moraes, e interpretações de Elizeth Cardoso, foi acompanhado pelo "violão" de um baiano até então desconhecido, João Gilberto. A orquestração é considerada um marco inaugural da Bossa Nova, pela originalidade das melodias e harmonias. Inclui, entre outras, Canção do Amor Demais, Chega de Saudade e Eu Não Existo sem Você. A consolidação da Bossa Nova como estilo musical veio logo em seguida com o "single" Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direcção musical de Tom Jobim.
O músico foi em 1962 um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova Iorque, iniciando desta forma a sua carreira internacional. No ano seguinte compôs, com Vinícius de Moraes, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no foram do Brasil: Garota de Ipanema. Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de "clássicos" produzidos por Jobim é impressionante: Samba do Avião, Só Danço Samba (com Vinícius de Moraes), Ela é Carioca (com Vinícius de Moraes), O Morro Não Tem Vez, Inútil Paisagem (com Aloysio), Vivo Sonhando, entre outros.
O sucesso fora do Brasil fê-lo voltar aos Estados Unidos em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. O álbum Francis Albert Sinatra e António Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês das canções de Tom Jobim (The Girl From Ipanema, How Insensitive, Dindi, Quiet Night of Quiet Stars) e composições americanas, como I Concentrate On You, de Cole Porter.
Ainda no fim dos anos 60, depois de lançar o álbum Wave, participou em vários festivais no Brasil, conquistando o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção Rede Globo, com o tema Sabiá, em parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele. Sabiá conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a interpretação diante dos constrangidos compositores.
Aprofundando os seus estudos musicais e nomeadamente com inspiração em compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim continuou a gravar e compor temas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz (Stone Flower) e elementos tipicamente brasileiros, fruto das suas pesquisas sobre a cultura brasileira. É o caso de Matita Perê e Urubu, lançados na década de 70, que marcam a aliança entre a sofisticação harmónica de Tom e sua qualidade de letrista. São desses dois discos os temas Águas de Março, Ana Luiza, Lígia, Correnteza, O Boto e Ângela.
Depois de lançar o seu último álbum (de mais de 50), Antônio Brasileiro, Tom Jobim, morre no Estados Unidos em Dezembro de 1994.
Alberto Velez Grilo
Foto: http://www.Wikipedia.com/
Texto baseado em artigos da Wikipedia e conteúdos de sites de referência
Maestro Soberano Tom Jobim
Lançado pelas editoras Do Brasil e Discmedi no ínicio de 2008, este conjunto de três DVD's constitui um retrospectiva do trabalho do compositor, cantor e pianista (entre outras actividades ligadas ao meio musical) Tom Jobim.Com o título genérico Maestro Soberano Tom Jobim, os vários trabalhos são agrupados em três DVD's com os nomes Ela é Carioca, Chega de Saudade e Águas de Março.
Para além de inúmeros temas interpretados pelo próprio Jobim e pelos maiores nomes da música Brasileira, fazem também parte dos DVD's entrevistas com várias personalidades ligadas à música Brasileira.
Participam entre outros:
Caetano Veloso
Chico Buarque
Gal Costa
Gilberto Gil
Milton Nascimento
Vinícius de Moraes
Ana Lontra Jobim
Paulinho da Viola
Edu Lobo
Ellis Regina
Para os apreciadores de Bossa Nova e MPB, esta é uma obra de referência do que é talvez o maior ícone de sempre destes estilos.
Alberto Velez Grilo
Foto: http://www.fnac.com/
terça-feira, 22 de Abril de 2008
Giuseppe Verdi
Giuseppe Fortunino Francesco Verdi nasceu em 1813 em Le Roncole perto de Busseto, na Itália (naquela altura ocupada pelo império francês).As primeiras aulas de composição surgiram muito cedo na vida de Verdi, cuja família se tinha mudado para Busseto logo a seguir ao seu nascimento. Aos vinte anos parte para Milão para continuar os seus estudos. Nesta altura estuda contraponto e assiste regularmente a óperas e concertos, que lhe serviram de inspiração para os seus trabalhos futuros como compositor.
De regresso a Busseto, Verdi faz a sua estreia como compositor no ano de 1830 na casa de um grande amigo seu, que inclusivamente lhe tinha financiado os estudos em Milão, Antonio Barezzi. Por esta altura Verdi começa a dar aulas de música à filha de Barezzi, Margherita, com quem vem a casar em 1836.
A carreira do compositor na ópera inicia-se em 1839 com a estreia de Oberto, que recebeu as melhores critica no Teatro alla Scala de Milão.
Quando Verdi trabalhava na que seria a sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, dá-se o falecimento dos seus filhos seguido do falecimento de sua mulher. O compositor fica naturalmente devastado e a ópera, que estreia em Milão em 1840, revela-se um fracasso. Tal facto leva Verdi a pensar em deixar a composição. Felizmente tal não acontece, por influência do então director do Teatro alla Scala, Bartolomeo Merelli, que entusiasma Verdi a escrever a ópera Nabucco. Nabucco estreia em 1842 e revela-se um enorme sucesso. O famoso coro dos escravos hebreus "Va pensiero" ficará para sempre como um marco importante na carreia do compositor e ainda hoje é das peças para coro mais interpretadas e mais conhecidas do público.
Depois de Nabucco, Verdi compõe várias óperas que o ajudam a afirmar-se como compositor na Europa. Destaca-se deste período a ópera Macbeth com libretto de Francesco Maria Piave, baseado na peça homónima de Shakespeare e que, para muitos, será a ópera mais original de Verdi por romper com a tradição das histórias de amor comuns na Itália do século XIX.
A carreira de Verdi consolida-se com a trilogia Rigoletto, estreada em Veneza em 1851, Il Trovatore, Roma em 1853 e La Traviata de novo em Veneza em 1853. Estas três óperas são talvez as mais apresentadas de sempre nos palcos e confirmam os dotes dramaturgos do compositor. O aprofundamento psicológico das personagens assume maior relevo e originalidade e a linguagem musical revela-se inteiramente capaz de recriar agitadíssimas e complexas situações dramáticas.
Segue-se em 1855 a estreia da ópera Les Vêsperes Siciliennes que marca o inicio da Verdi na Grande Ópera francesa.
Outra ópera marcante na carreia de Verdi é Aida. Associada muitas vezes à inauguração da Khedivial Opera House no Cairo inserida nas comemorações da abertura do Canal Suez, Aida, estreia no Cairo em 1871, mas depois da inauguração (pala a qual foi utilizada a ópera Rigoletto).
Depois de experiências isoladas fora da ópera, nomeadamente com o Quarteto em Mi Menor em 1873 a Missa de Requiem em 1874, Verdi iniciou um longo período de silêncio que durou até 1881, ano em que remodelou a ópera Simon Boccanegra de 1857, conjuntamente com o librettista Arrigo Boito.
Ainda com colaboração de Boito, Verdi escreve as suas duas última óperas, Otello, baseada na peça homónima de Shakespeare e Falstaff, baseado na peça The Wives of Windsor também de Shakespeare.
A comicidade de Falstaff representou o adeus de Verdi aos teatros de ópera. O compositor morre em Milão a 27 de Janeiro de 1901.
Alberto Velez Grilo
Foto: Wikipedia
Texto baseado em artigos da Wikipedia e na História da Música Clássica de Guido Boffi
La Traviata - Giuseppe Verdi
Estreada em Veneza em 1853, La Traviata é uma das óperas mais importantes de Verdi e uma das mais apresentadas nos palcos operáticos.
A acção decorre em Paris no século XVIII e tem como protagonista principal Violeta Valery uma cortesã famosa que acaba por se apaixonar por Alfredo Germont.
A ópera inicia-se numa noite de festa na casa de Violetta Valéry. Violetta, prometida ao Barão Douphol, é apresentada por seu amigo Gastone de Letorières a Alfredo Germont. Gastone conta que ele já conhecia Violetta há algum tempo e a amava em segredo. Alfredo, então, ergue um brinde a Violetta e faz-lhe uma declaração de amor.
Violetta responde a Alfredo que, sendo uma mulher mundana, não sabe amar e que só lhe poderia oferecer a amizade, devendo Alfredo procurar outra mulher. Mas ainda assim, entrega-lhe uma camélia e pede-lhe que volte no dia seguinte. Após o fim da festa, Violetta permanece só e começa a dar-se conta do quão profundamente lhe tocaram as palavras de Alfredo, um amor que ela jamais conheceu anteriormente.
Violetta e Alfredo iniciam um relacionamento amoroso e vão morar numa casa de campo, nos arredores de Paris. Aninna, a criada de Violetta, conta a Alfredo que Violetta tem ido constantemente a Paris vender seus bens, para custear as despesas da casa de campo.
Giorgio Germont, pai de Alfredo, visita Violetta e suplica-lhe que o abandone para sempre. Conta-lhe sobre a sua família e especialmente a sua filha, na Provença, e acredita que ver Alfredo envolvido com uma mulher mundana destruiria sua reputação.
Contrariada, Violetta cede aà súplicas de Giorgio e parte para uma festa na casa de sua amiga Flora Bervoix deixando uma carta a Alfredo. Alfredo lê a carta. Desconfiado de que Violetta possa tê-lo traído, segue-a até à casa de Flora, para se vingar.
A festa tem início com um grupo de mascarados que proporcionam um divertimento aos convidados. Violetta chega à festa acompanhada do Barão Douphol e Alfredo surge logo em seguida. Alfredo começa a jogar com o Barão e ganha. No momento em que o jantar é servido, Violetta e Alfredo permanecem a sós no salão e Alfredo força-a a confessar a verdade. Violetta, mentindo, diz amar o barão. Furioso, Alfredo convoca todos para o salão, atira à cara de Violetta todo o dinheiro conseguido no jogo e desafia Douphol para um duelo. Violetta desmaia, Alfredo é reprimido por todos e a festa termina.
Violetta está doente e empobrecida, depois de se desfazer de todos os bens. Tomada pela tuberculose, recebe cartas de vários amigos e uma, em especial, chama-lhe a atenção. É de Giorgio Germont, arrependido por te-la colocado contra Alfredo.
Giorgio e Alfredo visitam Violetta, e todos se reconciliam. Violetta e Alfredo começam a fazer planos para a sua vida em conjunto, depois de Violetta se recuperar. Entretanto, Violetta está muito debilitada fisicamente. Entrega a Alfredo um retrato seu e avisa-o para que o entregue à próxima mulher por quem ele se apaixonar. Violetta sente os espasmos da dor cessarem, mas em seguida morre.
Sugestões em CD e DVD
Lançado pela Decca em 1991 e já com reedições posteriores, esta é uma Traviata de referência por conter no elenco dois dos seus melhores interpretes: Joan Sutherland e Luciano Pavarotti.
Como curiosidade, Joan Sutherland actuou uma única vez (três récitas) em Portugal, precisamente em La Traviata. Ainda mais curiosas são as datas destas récitas, 18, 21 e 24 de Abril de 1974, ou seja, La Stupenda, como lhe chamam os seu admiradores, actuou em Lisboa na noite da revolução. Acompanhou Sutherland o tenor espanhol Alfredo Kraus que se apresentava regularmente no S. Carlos. Aliás, existe ainda mais um facto curioso relacionado com a Traviata. A única vez que Maria Callas se apresentou em Portugal, foi também nesta ópera em 1959 e também ao lado de Alfredo Kraus.
Para além de Sutherland e Pavarotti, fazem parte do elenco, entre outros:
Matteo Manuguerra - Georgio Germont
Della Jones - Flora
Marjon Lambriks - Annina
O Coro da Ópera de Londres e a National Philharmonic Orchestra são dirigidos pelo Maestro Richard Bonynge.
Lançado pela NVC Arts em 2000, este DVD foi captado numa récita de La Traviata ocorrida no Teatro La Fenice (Veneza) em Dezembro de 1992.
Fazem parte do elenco entre outros:
Edita Gruberová - Violetta Valéry
Neil Shicoff - Alfredo Germont
Giorgio Zancanaro - Giorgio Germont
Mariana Pentcheva - Flora
Antonella Trevisan - Annina
O coro e a orquestra do La Fenice são dirigidos pelo maestro Carlo Rizzi.
Destaca-se a interpretação de Edita Gruberová como Violetta, que imprime à personagem toda a sensualidade e debilidade que lhe são inerentes. O Alfredo de Neil Shicoff não é da mesma qualidade, mas pode considerar-se aceitável. Destaque também para Giorgio Zancanaro que interpreta solidamente a personagem de Giorgio Germont.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon,co,uk
Texto baseado em artigos da Wikipedia e na História da Música Clássica de Guido Boffi
terça-feira, 15 de Abril de 2008
Diana Krall
Diana Jean Krall nasceu em Nanaimo, no Canadá a 16 de Novembro de 1964, no seio de uma família de músicos.Iniciou os seu estudos musicais de piano aos 4 anos e o jazz começou desde cedo a ser uma referência na sua vida, em parte devido à grande colecção de álbuns a que tinha acesso no ambiente familiar.
Com cerca de 15 anos, Diana Krall actuava regularmente ao piano em bares e restaurantes da sua terra natal.
Aos 17 ganha uma bolsa de estudo para o Berklee College of Music em Boston (EUA) e passado algum tempo muda-se para Los Angeles onde passa a estudar com Jimmy Rowles. Foi nesta altura que Krall se inicia no canto.
Em 1990 passa a viver em Nova Iorque e é nesta altura que começa a gravar com regularidade conquistando públicos dentro e fora do meio do jazz um pouco por todo o mundo.
Em 1993, Krall lançou seu primeiro albúm “Stepping Out” juntamente com John Clayton e Jeff Hamilton. O sucesso obtido com este álbum chamou a atenção Tommy LiPuma, que produziu seu segundo álbum “Only Trust Your Heart” (1995).
Seguem-se álbuns como "All for you - Dedication to Nat King Cole Trio" (nomeado para os Grammy's, "Love Scenes" (em trio com Russel Malone e Christian McBride).
Em 1999 com "When I Look in Your Eyes", Diana Krall ganha o Grammy de Melhor músico de Jazz do ano.
Em 2001 a cantora, cujo sucesso se tinha estendido a praticamente todo o mundo, faz uma digressão mundial (com passagem por Portugal) e grava num dos seus concertos em Paris o seu primeiro álbum ao vivo - "Diana Krall - Live in Paris". É com este álbum que recebe, em 2002, mais um Grammy, desta vez de Melhor Álbum de Jazz Vocal (este album incluiu dois famosos covers: “Just The Way You Are” – Billy Joel e “A Case Of You” – Joni Mitchell)
Mais tarde, casa com o músico Elvis Costello e lança-se na composição, o que resultou no lançamento do álbum “The Girl In The Other Room” (2004).
Em 2006, Krall lançou o álbum “From This Moment On” onde interpreta nomes famosos do jazz, como Irving Berlin, Cole Porter, Richard Rodgers, Lorenz Hart, entre outros, destacando-se também o tema "Insensatez" de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, com letra em inglês de Norman Gimbel.
No final de 2007 Diana Krall lança “The Very Best of Diana Krall”, uma edição de luxo, contém um CD e um DVD e reuni os maiores sucessos.
Criticada negativamente por se ter afastado dos circuitos do jazz tradicional, Diana Krall não pode deixar de ser considerada como um ícone deste meio.
Foto: http://www.musicremedy.com/
Texto baseada em artigos da Wikipedia e conteúdos do site oficial de Diana Krall
The Very Best of Diana Krall - CD+DVD
Lançado pela Verve Records no final de 2007, esta colectânea reúne um conjunto CD+DVD com uma selecção dos melhores temas interpretados por Diana Krall ao longo de toda a sua carreira e já lançados noutros CD's ou DVD's.O DVD contém alguns temas que foram lançados como "teledisco", e temas de concertos.
Fazem parte do CD, os seguintes temas:
'S Wonderful - George e Ira Gershwin - álbum The Look of Love
Peel me a Grape - David Frishberg - do álbum Love Scenes
Pick Youself Up - Jerome Kern e Dorothy Fields - do álbum Whem I Look in Your Eyes
Frim Fram Souce - Joe Ricardell e Redd Evans - do álbum All for You
You Go to My Hed - J. Fred Coots e Haven Gillespie - inédito
Let's Fall in Love - Ted Koechler e Harold Arlen - do álbum The Look of Love
East of the Sun (and west of the Moon) - Brooks Bowman - do álbum Live in Paris
I've Got You Under My Skin - Cole Porter - do álbum When I Look in Your Eyes
All or Nothing at all - Lack Lawrence e Arthur Altman - do álbum Love Scenes
Only the Lonely - Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn - inédito
Let's Face the Music and Dance - Irving Berlin - do álbum When I look In Your Eyes
The Heart of Saturday Night - Tom Waits - inédito
Litle Girl Blue - Richard Rodgers e Lorenz Hart - do álbum From This Moment On
Fly Me to The Moon - Bart Howard - do álbum Live In Paris
Do DVD, fazem parte os temas:
Narrow Dayliht - Elvis Costello e Diana Krall - teledisco
Let's Face the Music and Dance - Irving Berlin - teledisco
The Look of Love - Burt Bacharach e Hal David - teledisco
Temptation - Elvis Costello - ao vivo (concerto)
Almost Blue - Elvis Costello - teledisco
Abandoned Masquerade - Elvis Costello e Diana Krall - ao vivo (concerto)
Fly Me to The Moon - Bart Howard - ao vivo (concerto)
What Are You Doing New year's Eve - Frank Loesser - ao vivo (estúdio)
Alberto Velez Grilo
Foto: http://www.fnac.pt
terça-feira, 1 de Abril de 2008
Andrea Bocelli - Tenor
Andrea Bocelli nasceu em Lajatico, Itália em 1958, no seio de uma família de camponeses.Com 6 anos de idade iniciou lições de piano, tendo aprendido também flauta e saxofone. O canto esteve desde sempre presente na sua vida, nomeadamente através da participação em coros de igreja da sua terra natal.
Em 1970, com 12 anos ficou cego devido a um acidente ocorrido enquanto jogava futebol. Este facto não impediu Bocelli de ganhar, ainda no mesmo ano primeiro prémio do concurso Magherita d'Oro com o tema O Sole Mio.
Embora tenha ganho mais alguns prémios na sua juventude, Andea Bocelli ingressa na Universidade de Pisa onde obtém uma licenciatura e um doutoramento em direito. Enquanto estudava, cantava em piano-bares para poder financiar os estudos.
O cantor torna-se conhecido do público europeu através do artista pop italiano Zucchero que grava o tema Miserere com Pavarotti em 1992, mas que faz uma digressão Europeia com Bocelli em 1993. Para além de Miserere, Bocelli interpreta a solo a ária Nessum Dorma da ópera Turandot de Puccini, já celebrizada por Pavarotti.
Ainda no ano de 1993 debuta num concerto a solo no Teatro Romolo Valli em Regio Emilia (Itália) e em 1994 estreia-se na ópera Macbeth de Verdi no Teatro Verdi em Pisa. O seu primeiro álbum Il mare calmo della sera entrou imediatamente para o top italiano e foi disco de platina.
A sua principal interpretação na ópera ocorre em 1998 no papel de Rodolfo na ópera de Pucini La Bohème no Teatro Comunale de Cagliari.
A estreia de Bocelli no Estados Unidos da América dá-se também em 1998 com um concerto no John F. Kennedy Center em Washington D.C.. Pode-se mesmo dizer que foi a partir de 1998 com a sua estreia nos Estados Unidos que o tenor passou a ser conhecido mundialmente.
A sua colaboração com cantores da área da pop, como Celine Dion, constitui também um marco na sua carreira. De salientar também os duetos interpretados com o Soprano (da área dos musicais) Sarah Brightman (Time to say goodbye).
No que respeita a Portugal, Bocelli interpretou um tema com a cantora Dulce Pontes (O Mare e tu) aquando da sua digressão pela península Ibérica. Esteve na Madeira em Janeiro de 2005 onde realizou dois concertos que constituíram o encerramento da Madeira Região Europeia 2004 e que contaram com uma assistência de mais de 4500 pessoas.
Alberto Velez Grilo
Foto: Wikipedia
The Best of Andrea Bocelli - Vivere (CD) + American Dream - Andrea Bocelli Statue of Liberty Concert (DVD)
Lançado pela editora Sugar no final de 2007, este "set" CD+DVD constitui uma obra indispensável para os apreciadores de Andrea Bocelli.Do CD, intitulado Vivere, fazem parte os temas que mais celebrizaram o tenor quer interpretados a solo, ou em duetos nomeadamente com Laura Pausini, Kenny G. (saxofone), Sarah Brightman, Lang Lang (piano), Giorgia e Céline Dion.
A maioria dos temas são reedições de trabalhos já gravados noutros álbuns. No entanto, existem 4 temas lançado pela primeira vez.
Assim, fazem parte do CD:
La Voce del Silenzio - Paolo Limiti/ Mogol e Elio Isola
Sogno - Gioseppe Servilho e Guiseppe Vessicchio
Il mare calmo della serra - Malise/Peter Felisatti e Malise/Gloria Nuti
Dare to Live (Vivere) - Dueto com Laura Pausini - Gerardina Trovato, Eugenio Finardi e Celso Valli/Angelo Anastasio
Canto della Terra - Lucio Quarantotto e Francesco Sartori
A Te com Kenny G. - Andrea Bocelli
Besame Mucho - Consuleo Velazquez
Mille Lune Mille Onde - Lucio Quarantotto/Claudio Carradini e Francesco Sartori/David Foster
Time to Say Goodbye com Sarah Brightman - Lucio Quarantotto e Francesco Sartori
Io Ci Sarò com Lang Lang (piano) - Andrea Bocelli(Eugenio Finardi e David Foster/Walter Afanasieff
Romanza - Mauro Malavasi
Vivo per Lei com Giorgia - Luigi Panceri e Mauro Mengali/Valeria Zelli
Melodrama - Paolo Luciani/Pierpaolo Guerrini
Bellissimi Stelle - Liugi de Crescenzo e Francesco Sartori
The Prayer com Céline Dion - Carole bayer Sager, Alberto Testa/Tony Renis e David Foster
Because We Bilieve - Andrea Bocelli, Amy Foster Gilies e David Foster
No DVD é apresentado um excerto de um concerto intitulado Amercan Dream realizado em 2000 na Liberty Island em Nova Iorque. Pala além do concerto, o DVD contém um pequeno "Making of" no qual participa, para além de Bocelli, o maestro Steve Mercurio. O concerto foi dedicado pelo cantor a todos os emigrantes italianos que cruzaram o atlântico em direcção ao novo mundo e que ajudaram a fazer dos Estados Unidos da América o país que é hoje.
Bocelli interpreta os seguintes temas:
La Donna è Mobile - Guiseppe Verdi
Di Quella Pira - Guiseppe Verdi
Brindisi - Cavalleria Rusticana
'O Suave Fanciulla - Giacomo Puccini
Santa Lucia Luntana - E.A.Mario
Torna a Surriento - Ernesto de Curtis/Giovan Battista De Curtis
'O Sole Mio - Edoardo di Capua/Alfredo Mazzocchi/Giovani Capurro
Brindisi - La Traviata - Guiseppe Verdi
Alberto Velez Grilo
Foto:www.fnac.pt
terça-feira, 25 de Março de 2008
Wolfgang Amadeus Mozart
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu a 27 de Janeiro de 1756 na cidade de Salzburgo, na Áustria. O último dos 7 filhos de Leopold Mozart e Anna Maria Pertl Mozart, foi baptizado um dia depois, na Catedral de São Ruperto, com o nome de Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart. Mozart passou a vida a mudar a forma como se chamava e a forma como era chamado pelos outros. Fez, mais tarde,modificações ao seu nome, em especial o nome do meio, "Theophilus". Só em raras ocasiões usou a versão latina deste nome, "Amadeus", que hoje se tornou a mais vulgar. Preferia a versão francesa Amadé ou Amadè. Usou também as formas italiana "Amadeo" e alemã "Gottlieb".
Mozart foi uma criança prodígio. Filho de uma família musical burguesa, começou a compor minuetos para cravo com a idade de cinco anos. O seu pai Leopold Mozart foi também compositor, embora de menor relevo. Algumas das primeiras obras que Mozart escreveu enquanto criança foram duetos e pequenas composições para dois pianos, destinadas a serem interpretadas conjuntamente com sua irmã, Maria Anna Mozart, conhecida por Nannerl.
Em 1763 o seu pai levou-o, conjuntamente com a sua irmã Nannerl, numa viagem pela França e Inglaterra. Em Londres, Mozart conheceu Johann Christian Bach, último filho de Johann Sebastien Bach, que exerceria grande influência em suas primeiras obras.
Entre 1770 e 1773 visitou a Itália por três vezes. Lá, compôs, com apenas 14 anos, a ópera Mitridate Re di Ponto que obteve um êxito apreciável. A eleição, em 1772, do conde Hieronymus Colloredo como arcebispo de Salzburgo mudaria esta situação. A Sociedade da Corte vienense implicava com a origem burguesa e os modos de Mozart, e Colloredo não admitia que um mero empregado, que era o estatuto dos músicos, nessa época, passasse tanto tempo em viagens ao estrangeiro. O resto dessa década foi passado em Salzburgo, onde cumpriu os seus deveres de "Konzertmeister" (mestre de concerto), compondo missas, sonatas de igreja, serenatas, divertimentos e outras obras. Mas o ambiente de Salzburgo, cada vez mais sem perspectivas, levava a uma constante insatisfação de Mozart com a sua situação.
Em 1781, Colloredo ordena a Mozart que se junte a ele e à sua comitiva em Viena. Insatisfeito por ser colocado entre os criados, pediu a demissão. A partir daí passa a viver da renda de concertos, da publicação das suas obras e de aulas particulares, sendo pioneiro nessa tentativa autónoma de comercialização da sua obra. Inicialmente tem sucesso, e o período entre 1781 e 1786 é um dos mais prolíficos da sua carreira, com óperas (Idomineo e O Rapto do Serralho), as sonatas para piano, música de câmara e, principalmente, com uma deslumbrante sequência de concertos para piano. Em 1782 casa, contra a vontade do pai, com Constanze Weber, cantora lírica por quem Mozart se apaixonara poucos anos antes.
Em 1786, compõe a primeira ópera em que contou com a colaboração de Lorenzo da Ponte: As Bodas de Fígaro. A ópera fracassa em Viena, mas faz um sucesso tão grande em Praga que Mozart recebe uma encomenda de uma nova ópera. Esta seria Don Giovanni, considerada por muitos a sua obra-prima. Mais uma vez, a obra não foi bem recebida em Viena. Mozart ainda escreveria Così Fan Tutte, com libreto de Da Ponte, em 1789, esta seria a sua última colaboração com este librettista.
A partir de 1786 a sua popularidade começou a diminuir junto do público vienense, o que agravaria a sua condição financeira. Isso não o impediu de continuar a compor obras-primas, como Quintetos de cordas e Sinfonias, mas nos seus últimos anos a sua produção declinou devido a problemas financeiros, à precariedade da sua saúde e da sua esposa Constanze.
Em 1791 compõe suas duas últimas óperas (A Flauta Mágica e A Clemência de Tito), o seu último concerto para piano e o concerto para clarinete em lá maior. Na primavera desse ano, recebe a encomenda de um Requiem. Contudo, trabalhando noutros projetos e com a saúde cada vez mais enfraquecida, morre a 5 de Dezembro, deixando a obra inacabada (há uma lenda que diz que o Requiem estaria sendo composto para tocar em sua própria missa de sétimo dia). Será completado por Franz Süssmayr, seu discípulo. Mozart é enterrado numa vala comum, em Viena.
Alberto Velez Grilo
Foto: Wikipedia
Texto baseado em artigos da Wikipedia
A Flauta Mágica (Die Zauberflote) - W.A. Mozart
Lançado pela Decca em 1993 e com reedições posteriores, este duplo CD contém uma gravação de estúdio de uma das últimas óperas compostas por Mozart, A Flauta Mágica ou, do libretto em alemão, Die Zauberflote.A Flauta Mágica é uma ópera em dois actos, com libretto alemão de Emanuel Schikaneder. Foi estreada no Theater auf der Wieden em Viena no dia 30 de Setembro de 1791.
Na ópera existem dois casais, Papageno e Papagena, que simbolizam o lado comum da humanidade, e Tamino e Pamina, simbolizando a pureza do primeiro amor. O contexto é uma luta entre a Rainha da Noite, que ambiciona o poder, e Sarastro, o grande sacerdote que só pratica o bem. Para Sarastro trabalha, porém, o mouro Monostatos, que tenta seduzir Pamina e se alia à Rainha da Noite.
A obra começa com Tamino perdido na floresta, onde encontra Papageno, um homem alegre que aprecia os prazeres da vida e trabalha para a Rainha da Noite. Deste encontro Tamino fica a saber que Pamina, filha da Rainha da Noite, foi sequestrada por Sarastro e, apaixonado pela sua beleza, decide resgatá-la.
Na sequência, ambos passam por várias provas antes de se poderem encontrar. Papageno também passa por um tipo de prova antes de encontrar Papagena, e este contraponto cómico do homem comum que se comporta de modo diferente do príncipe diante das adversidades, é o lado cômico que faz esta ópera tão popular.
Fazem parte do elenco deste CD:
Sarastro - Kritinn Sigmundsson
Tamino - Kurt Streit
Rainha da Noite - Sumi Jo
Pamina - Barbara Bonney
Papageno - Gilles Cachemaille
Papagina - Lillian Watson
Monostatos - Martin Petzold
Arnold Ostman dirige o coro e orquestra do Court Theatre.
Destacam-se as interpretações de Barbara Bonney como Pamina e de Sumi Jo como Rainha da noite. As vozes revelam-se apropriadas para cada uma das personagens. Barbara Bonney muito consistente e Sumi Jo com uma coloratura perfeita nas duas famosas árias da Rainha da Noite.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
Texto baseado em artigos da Wikipedia e literatura incluída no CD
Mitridate Re di Ponto - W.A. Mozart
Lançado pela Euroarts em 2006, este DVD apresenta uma récita da ópera Mitridate Re di Ponto ocorrida no Teatro da Opéra Nacional de Lyon em 1986.Mitridate é a quinta ópera de Mozart, conta com libretto italiano de Vittorio Amadeo Cigna-Santi e estreou em Milão em Dezembro de 1770, quando o compositor tinha apenas 14 anos.
Apesar da tenra idade de Mozart, a ópera foi um sucesso na altura da sua estreia. Ao contrário de algumas óperas posteriores que aquando da estreia não tiveram muito sucesso e que hoje são bastante mais apresentadas que Mitridate nos teatros de ópera.
A acção da ópera decorre na Crimeia segundo século A.C., durante o conflito entre Roma e Pontus. Mitridate, sofreu uma forte e pesada derrota numa batalha e é dado como morto. Estas falsas notícias são passadas por Arbate, o Governador, para a noiva de Mitridate, Aspasia, e para os seus filhos, Farnace e Sifare.
Farnace e Sifare estão ambos apaixonados por Aspasia e com a notícia da morte do Rei Mitridate, ambos tentam conquistar o seu coração. Aspasia prefere Sifare, de melhor temperamento, ao contrário de Farnace que se revela sem escrúpulos.
Com a notícia de que o Rei afinal está vivo, ambos os irmãos se comprometem a esconder os seus sentimentos, por respeito a seu pai.
O Rei chega com Ismene, prometida de Farnace, e é imediatamente informado do que se passa com Aspasia. Fica, no entanto a pensar que o seu preferido é Farnace e não Sifare.
Ismene informa Mitridate que Farnace não está interessado nela e sugere casar-se com Sifare. Para testar Aspasia, Mitridate sugere-lhe que se casem imediatamente. Aspasia fica relutante o que prova a sua infidelidade. Entretanto Farnace propõe ao Rei um acordo com Roma. O Rei recusa e acusa o filho de traição. Vendo-se cercado, Farnace revela ao pai que Aspasia está apaixonada é por Sifare.
Mitridate consegue comprovar que Aspasia ama Sifare e acusa o filho de traição. Face a estes acontecimentos, Aspasia pretende suicidar-se. Sifare, vendo-se impossibilitado de concretizar o seu amor, pretende também morrer, mas a lutar ao lado do pai. Farnace que tinha sido preso por traição, arrepende-se e é libertado, partindo também para lutar com o Mitridate.
No final o Rei morre em combate e perdoa ambos os filhos. Todos prometem vingar o Rei contra Roma.
Com um libretto algo complicado, Mitridate prima pelas suas árias. Existe apenas um dueto e um coral.
Os papeis de Sifare e Arbate eram na altura interpretados por sopranistas (homens com voz de soprano) e o de Farnace por um contralto masculino. Nesta encenação os três papeis são interpretado por vozes femininas, se bem que existem apresentações em que Farnace é representado por um contra-tenor.
Do elenco fazem parte:
Mitridate - Rockwell Blake
Aspasia - Yvonne Kenny
Sifare - Ashley Putnam
Farnace - Brenda Boozer
Ismene - Patricia Rozario
Marzio - Chistian Papis
Arbate - Catherine Dubosc
Coro e orquestra da Opéra de Lyon dirigidos por Theodor Guschlbauer. Encenação de Jean-Claude Fall.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
Texto baseado em artigos da Wikipedia e literatura incluída no DVD
terça-feira, 18 de Março de 2008
Breakfast on the Morning Tram Stacey Kent
Breakfast on the Morning Tram é o último trabalho de uma das cantoras mais promissoras no meio do Jazz da actualidade.Stacey Kent nasceu no Estados Unidos da América em 1968 e o início da sua carreira musical aconteceu por acaso quando conheceu Jim Tomlinson (actualmente seu marido) na Inglaterra a propósito de um trabalho de mestrado que estava a realizar na área da humanidades (francês, italiano e alemão).
O interesse que ambos partilham pela música, nomeadamente pelo jazz, revelou-se particularmente importante para Stacey e impulsionou o início da sua carreira como cantora.
Em 1997 é lançado o seu primeiro álbum, Close Your Eyes, que recebe óptimas críticas e desperta imediatamente o interesse do público.
Seguem-se vários trabalhos considerados como referência e aos quais é reconhecido o mérito nomeadamente com a atribuição de vários prémios do meio musical. Álbuns como The Boy Next Door, The Lyric e Brasilian Sketches são um exemplo.
O álbum Breakfast on the Morning Tram foi lançado no final de 2007 pela editora discográfica Blue Note, com que a cantora assinou contrato em 2006.
Fazem parte do álbum os seguintes temas:
The Ice Hotel - Jim Tomlinson, Kazuo Ishiguro
Landslide - Stevie Nicks
Ces Petits Riens - Serge Gainsbourg
I Wish I Could Go Travelling Again - Jim Tomlinson, Kazuo Ishiguro
So Many Stars - Sergio Mendes, M & A Bergman
Samba Saravah - Baden Poewell, P. Barouh, Vinícius de Moraes
Breakfast on the Morning Tram - Jim Tomlinson, Kazuo Ishiguro
Never Let Me Go - Jay Livingston, Ray Evans
So Romantic - Jim Tomlinson, Kazuo Ishiguro
Hard Hearted Hannah - Bob Bigelow, Charles Bates, Jack Yellen, Milton Ager
La Saison des Pluies - Elek Bacsik, Serge Gainsbourg
What a Wonderful World - G. Douglas, G.D. Weiss, B. Thiele
Stacey Kent é acompanhada por:
Grahem Harvey - Piano
John Parricelli - Guitarra
Dave Chamberlain - Baixo
Matt Skelton - Bateria e Percussão
Kim Tomlinson - Saxofones tenor, alto e soprano e flauta
Com o reportório escolhido pode dizer-se que Stacey Kent cresceu. Num artigo de Robert G. Kaiser presente no próprio CD pode ler-se: "O que acontece quando um artista já consagrado consegue ultrapassar-se a si próprio? Coloque este disco no seu leitor de CD's e descubra".
Ao contrário do que aconteceu em trabalhos anteriores, em Breakfast on the Morning Train, Stacey Kent não utiliza tanto os temas do "Great American Songbook" e apresenta quatro temas originais concebidos expressamente para a sua voz com letra de Kazuo Ishiguro e música de Jim Tomlinson.
Para além dos quatro temas referidos, fazem parte do álbum três canções interpretadas em francês, das quais se destaca Samba Saravah com música de Baden Poewell e Vinícius de Moraes e letra de P. Barouh que faz parte da banda sonora do filme de 1966 "A Man and a Woman". Stacey Kent brinda-nos assim, com um samba cantado em francês. Aliás, a cantora sempre revelou uma forte inspiração na música brasileira, nomeadamente no samba, bossa nova e MPB (o álbum Brazilian Sketches é disso um exemplo).
Do "Great American Songbook" existem três temas, destacando-se a interpretação de "What a Wonderful World" celebrizada por Louis Armstrong.
Com todos estes condimentos, Breakfast on The Morning Tram constitui um álbum de referência no meio Jazzístico e mostra-nos uma Stacey Kent mais madura e com a qualidade vocal que sempre a caracterizou.
A cantora esteve em Portugal este mês para apresentação do álbum, com concertos no Porto, Lisboa, Ponta Delgada e Alcobaça. Numa pequena entrevista dada a um canal de televisão português, afirma a sua inspiração em temas portugueses e brasileiros e a sua vontade de aprender a língua. Fiquemos então à espera de ouvir o português de Stacey Kent.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.fnac.pt
3 Pianos - Sassetti, Laginha, Burmester
Bernardo Sassetti, Mário Laginha e Pedro Burmester, juntaram-se uma vez mais, desta feita no Centro Cultural de Belém, para um concerto memorável, lançado no final de 2007 em DVD pelos vídeos RTP.Apresentam-se, assim, ao público dois pianistas que já vêm há alguns anos a trabalhar em conjunto na área do Jazz (Sassetti e Laginha) com Pedro Burmester que durante toda a sua carreira de mais de mil concertos se dedicou à música erudita.
A combinação não poderia ser mais perfeita, para o reportório escolhido. Os temas interpretados com mais ou menos improvisação uma vez vão do erudito ao jazz, do clássico ao contemporânea, de Bach a Laginha.
Fazem parte do concerto os seguintes temas:
Perpetuum Mobile - Béla Bartók
Souvenirs (1ª parte) - Samuel Barber
Tema para uma Leitura Encenada - Bernardo Sassetti
Variações Goldber / ária e 13ª variação - J.S. Bach
Vijag - Aln Hovhaness
A Menina e o Piano - Mário Laginha
Fantasia kv 385 g (397) - W.A. Mozart
Souvenirs (2ª parte) - Samuel Barber
O Sonho dos Outros - Bernardo Sassetti
Trás Outro Amigo Também - José Afonso
Variações Goldberg 25ª variação - J.S. Bach
Fado - Mário Laginha
Bolero - Maurice Ravel
Bahianinha - Bernardo Sassetti
L'Embarquement pour Cithére - Francis Poulenc
Perpetuum Mobile - Béla Bartók
Do DVD faz também parte um entrevista com os três pianistas que constitui uma boa introdução ao concerto e que mostra a abordagem de cada um. Da entrevista faz parte uma improvisação em piano a quatro mãos com Sassetti e Laginha.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.fnac.pt
terça-feira, 11 de Março de 2008
Juan Diego Flórez - Tenor
Juan Diego Flórez, tenor, nasceu em Lima no Peru a 13 de Janeiro de 1973. Filho do cantor e guitarrista peruano Rubén Flórez, o cantor teve contacto com a música e o canto muito cedo na sua vida. A sua mãe era gerente de um "pub" em Lima e Juan Diego foi, durante a sua juventude, cantor substituto nesse mesmo local, cantando sempre que um outro cantor desistisse da sua apresentação.Numa entrevista, Juan Diego Flórez comenta que esta experiência foi muito enriquecedora, mesmo que o seu reportório na altura não fosse clássico ou lírico (interpretava temas populares).
Tendo em vista seguir uma carreira na música popular, entra no Conservatório Nacional de Música de Lima com 17 anos. Nos seus estudos de canto, a sua voz lírica salientou-se de imediato. Um pouco mais tarde integra o Coro Nacional do Peru onde interpretou como solista algumas obras de Mozart e de Rossini.
Em 1993 parte para Filadélfia com uma bolsa de estudo para o Curtis Institute, onde permaneceu até 1996. Foi nesta altura que começou a interpretar o reportório Belcantista que mantém até hoje, nomeadamente óperas de Rossini, Bellini e Donizetti. Durante este período estudou também com o Mezzo Soprano Marilyn Horne, um dos grande nomes de sempre do Bel canto, na Music Academy of the West (Santa Barbara).
Em 1994 é convidado pelo pelo tenor peruano Ernesto Palacio para integrar o elenco de uma gravação da ópera Il Tutore Burlato de Vicente Matín y Soler. Ernesto Palacio passou a ser professor e "manager" de Juan Diego Flórez e foi talvez a pessoa que mais o influenciou na sua carreira.
Como acontece muitas vezes no mundo da ópera, os novos cantores são descobertos pelo público quando têm que substituir outros, devido a imprevistos de última hora. Tal facto aconteceu a Flórez em 1996 quando foi chamado a substituir Bruce Ford numa récita da ópera de Rossini Matilde di Shabran no Festival Rossini de Pesaro. O sucesso foi de tal forma que ainda no mesmo ano, o tenor debutou num dos maiores palcos operáticos do mundo, o Teatro alla Scala de Milão.Seguem-se as primeiras apresentações no Covent Garden (Londres), na Ópera de Viena e no Metropolitan de Nova Iorque.
Desde o início da década de 2000, Juan Diego Flórez é presença constante nos mais importantes palcos operáticos do mundo. O seu reportório inclui quase exclusivamente óperas do período designado por Bel canto, nomeadamente dos compositores Rossini, Bellini e Donizetti.
No que respeita aos aspectos técnicos da sua voz, Juan Diego Flórez pode ser considerado um tenor Lírico Ligeiro (do italiano Tenor Lirico Leggero), isto é, a sua voz tem um registo agudo de grande qualidade, com agudos cristalinos, vibrantes e de potência considerável. Um registo médio de volume inferior a um tenor Lírico, mas com mais agilidade, e um registo grave medianamente desenvolvido e com volume inferior ao do registo médio.
Com estas características vocais pode-se dizer que o tenor tem escolhido o seu reportório de forma bastante inteligente, apresentado-se em papeis aos quais a sua voz está mais adaptada.
Juan Diego Flórez esteve em Portugal apenas uma vez num recital realizado a 16 de Abril de 2003 no Teatro Nacional de S. Carlos. Acompanhado pela Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro Nacional de S. Carlos e pelo coro do mesmo, o Tenor, dirigido pelo Maestro Riccardo Frizza arrebatou o público português com a sua capacidade vocal.
Alberto Velez Grilo
Foto: Trevor Leighton - Decca
Texto baseado em artigos da Wikipedia e conteúdos do site www.juandiegoflorez.com
Arias for Rubini - Juan Diego Flórez
"Arias for Rubini" é o trabalho mais recente do tenor Juan Diego Flórez no que respeita a gravações de estúdio editadas em CD.Lançado pela editora Decca em Setembro de 2007, "Arias for Rubini" é um tributo de Juan Diego Flórez a um dos maiores tenores de sempre, Giovanni Battista Rubini.
Rubini nasceu em Bergamo (Itália) em 1794. Notabilizou-se pela sua capacidade vocal no registo agudo, o que levou vários compositores do século IXX a escreverem papéis nas suas óperas especialmente para a sua voz. Tais papeis, por incluírem passagens de extrema agilidade num registo muitíssimo agudo, sempre foram muito difíceis de interpretar. De entre os compositores que escreveram para Rubini, salientam-se Rossini e Bellini. Na sua ópera I Puritani, Bellini inclui na ária de tenor um fá sobre-agudo que ainda hoje é evitado pela maioria dos intérpretes. Para se fazer uma ideia do grau de dificuldade em atingir esta nota, basta referir que a nota aguda de referência para tenor é um dó (o famoso dó de peito).
Viajando por vários países da Europa, Rubini terá sido o primeiro cantor lírico a tornar-se uma "estrela" dentro e foram dos palcos de ópera. Juan Diego Flórez em entrevista afirma mesmo que Rubini foi a primeira "opera pop star".
Neste trabalho, o tenor interpreta as mais famosas árias interpretadas ou escritas para Rubini de autoria dos compositores Rossini, Bellini e Donizetti.
O Cd incluí árias das seguintes óperas:
Il Pirata - Bellini
Elisabetta, regina d'Inghilterra - Rossini
Marino Faliero - Donizetti
Il Turco in Italia - Rossini
Bianca e Fernando - Bellini
La Donna del Lago - Rossini
Guglielmo Tell - Rossini
Acompanham o tenor a Orquestra e o Coro dell'Academia Nazionale di Santa Cecilia sob a direcção do Maestro Roberto Abbado.
Com uma voz de características idênticas à de Rubini, o trabalho de Juan Diego Flórez não pode ser considerado abaixo de excelente. A sua técnica de alto nível permite-lhe interpretar este reportório de forma extremamente segura e com uma vivacidade e precisão inigualáveis nos dias que correm.
Para os apreciadores de vozes agudas e do reportório de Bel canto mais arrojado, este CD deverá ser uma obra de referência.
Como curiosidade fica a referência a que a nota mais aguda incluída no CD é um mi bemol na ária "All'udir del padre afflitto" da ópera Bianca e Fernando de Bellini. Ficamos ainda a aguardar pelo fá da ária da ópera I Puritani de Bellini.
Alberto Velez Grilo
Foto: Decca
La Fille du Regiment - Flórez, Ciofi,Franci, Ulivieri, Frizza
A Decca lançou em 2006 este DVD com uma récita da ópera La Fille du Regiment de Gaetano Donizetti, ocorrida nesse mesmo ano no Teatro Carlo Felice de Génova.La Fille du Regiment é uma ópera cómica em dois actos, cuja primeira apresentação pública ocorreu em Paris em 1840, altura em que o compositor italiano vivia nesta cidade. O libretto francês (há também uma versão italiana, mas que é menos apresentada) é de Georges Henry Vernoy de Saint-Georges e Jean-Francois Bayard.
A acção decorre na Áustria no período das invasões Napoleónicas, onde o exército francês combate as tropas inimigas. Criada pelo 21º regimento das tropas francesas, Marie vive feliz, apesar das vicissitudes da guerra. Um dia encontra Tonio, um jovem tirolês por quem se apaixona.
Considerando-se filha de todo o regimento, uma vez que nunca conheceu os país, Marie e Tonio conseguem o consentimento de todos o soldados para namorarem e virem mesmo a casar. Para tal Tonio tem mesmo que se alistar nas tropas francesas.
No entanto, algo corre mal neste romance. A Marquesa de Berkenfield apresenta-se ao regimento como tia de Marie e insiste em leva-lá para o seu castelo onde poderá dar-lhe uma educação adequada ao seu estatuto social. Marie teima em não acompanhar a suposta tia, mas acaba por ceder por falta de argumentos.
Já no Castelo de Berkenfield, Marie vive infeliz e sente-se só. As aulas de canto e boas-maneiras são um aborrecimento. Para complicar ainda mais a situação, a tia arranja um noivo para Marie, o Duque de Krakenthorp.
Na festa de noivado, Tonio consegue falar com a Marquesa e implora-lhe que o deixe casar com Marie. A Marquesa revela-se inflexível. No entanto, o Sargento Sulpice (que comanda o 21º regimento) vem desde há algum tempo a encantar o coração da Duquesa. Num ataque de fraqueza, esta conta-lhe que não é tia mas sim mãe de Marie e que pretende ver a sua filha feliz.
No final, a festa de noivado é interrompida e Marie pode concretizar o seu amor por Tonio.
De argumento muito simples, La Fille du Regiment não deixa de ser uma ópera com todos os condimentos para que os cantores possam demonstrar todas as suas capacidades vocais e de interpretação.
Momentos altos na ópera, são a ária para tenor "Ah mes amis que jour de fête", onde o interprete tem que executar nove "dós de peito", e a lição de canto, onde a soprano, além de ter que executar trechos de extrema dificuldade técnica, com passagens muito agudas, tem ainda que fazer o público rir, visto ser esta uma das partes mais cómicas de toda a ópera.
A récita apresentada neste DVD tem como elenco principal:
Marie - Patrizia Ciofi
Tonio - Juan Diego Flórez
La Marquise de Berkenfield - Francesca Franci
Hortensius - Dario Benini
Sulpice - Nicola Ulivieri
A Orquestra e o Coro do Teatro Carlo Felice são dirigidos pelo Maestro Riccardo Frizza e a encenação esteva a cargo de Emílio Sagi
De entre todos os intérpretes destaca-se, sem dúvida, Juan Diego Flórez no papel de Tonio. O tenor tem vindo já há alguns anos a destacar-se na interpretação desta ópera, nomeadamente na ária "Ah mes amis que jour de fête". Nesta récita, a ária é interpretada de forma soberba, com uma voz segura, um timbre apropriado e um registo agudo perfeito. Os nove "dós de peito" arrebatam os maiores aplausos do público a quem o tenor oferece um "encore". Ou seja, Juan Diego Flórez interpreta dezoito "dós de peito" em apenas alguns minutos.
A soprano Patrizia Ciofi tem uma boa prestação na récita. Com uma técnica bastante aceitável e um registo agudo agradável e sem esforço. Talvez lhe falte um pouco de imaginação e graça na cena da lição de canto.
A encenação de Emilio Sagi, deixa um pouco a desejar, pela sua sua sobriedade e falta de cor, que reduzem um pouco o carácter cómico da ópera.
Como curiosidade, Juan Digo Flórez ao interpretar Tonio no Teatro La Scala de Milão, quebrou uma tradição de 74 anos sem "encores". O tenor repetiu a ária "Ah mes amis que jour de fête".
Alberto Velez Grilo
Foto: Decca
terça-feira, 4 de Março de 2008
Herbie Hancock
Herbie Hancock nasceu a 12 de Abril de 1940 em Chicago (estados Unidos da América).Tal como vários pianistas associados ao Jazz, também Hancock começou os seus estudos na música erudita. Aos 11 anos de idade interpretou com a Orquestra Sinfónica de Chicago o Concerto nº 5 em Ré Maior para piano e orquestra de Mozart.
O seu gosto pelo Jazz aparece uns anos mais tarde, quando começa a ouvir e a interpretar ao piano temas dos grandes pianistas da altura (Oscar Peterson, George Shearing, Bill Evans, etc.).
Em 1960 é descoberto pelo trompetista Donald Byrd, que o convida a participar na sua banda. Conhece também nesta altura Alfred Lion da Blue Note Records para a qual viria a assinar um contrato como interprete a solo dois anos mais tarde. Em 1963 é lançado o álbum Takin' Off que se torna de imediato um sucesso.
Ainda em 1963, Herbie Hancock recebe um convite que viria a mudar a sua vida, e seria um dos maiores impulsos da sua carreira. É convidado por Miles Davis para integrar o seu famoso quinteto (segundo quinteto). Hancock permanece no Miles Davis Quintet durante cinco anos. Neste período o quinteto conquista audiências e faz vários lançamentos discográficos. Álbuns como ESP, Nefertiti e Sorcerer são uma referência. Muitos críticos consideram o Miles Davis Quintet como o melhor agrupamento de Jazz dos anos 60. Mesmo depois de deixar o quinteto, Hancock ainda aparecerá com Miles Davis nos álbuns Silent Way e Bitches Brew que dão início ao Jazz-Fusion.
Durante o tempo em que permaneceu no Miles Davis Quintet, Herbie Hancock desenvolveu também uma carreira a solo e lançou sob a tutela da Blue Note Records, álbuns como Maiden Voyage, Empyrean Isles e Speak Like a Child. Em 1966 compõe a banda sonora do filme Blow Up de Michelangelo Antonioni, que o lança também no mundo do cinema e que lhe virá a dar muitos êxitos nos anos seguintes.
Depois de deixar o Miles Davis Quintet em 1668, Hancock dedica-se quase exclusivamente ao Jazz-funk Electrónico. Forma uma nova banda de nome The Headhunters. Em 1973 grava o álbum Head Hunters, que se tornou no primeiro álbum da área do jazz a ganhar um disco de platina nos Estados Unidos da América.
Nos meados da década de 1970, Herbie Hancock enchia estádios nos seus concertos. Os seus álbuns entram nos Top's da música pop e são ainda hoje inspiração para músicos das áreas do hip hop e da dance music.
Embora com enorme sucesso, Hancock não deixa de participar e gravar com os grandes nomes do jazz da altura, nomeadamente com a banda VSOP (reunificação do Miles Davis Quintet com Freddie Hubbard em vez de Miles), em vários trios e quartetos por si liderados e em duetos com outros pianistas como Cick Corea e Oscar Peterson.
A década de 1980 é marcada pela conquista de um Grammy para o melhor álbum R&B instrumental com Future Shock e de um Óscar para a melhor banda sonora (filme Round Midnight).
Outro marco importante na carreira de Herbie Hancock foi o lançamento em 1998 do álbum Gershwin's World (Verve Rocords). Neste álbum reúnem-se grandes nomes das mais variadas áreas musicais. Nomes como Joni Mitchell, Stevie Wonder e Kathleen Battle (cantora de ópera) destacam-se entre outros. O álbum não inclui apenas temas da autoria de Gershwin, mas também de outros compositores que de certa forma estão com ele relacionados ou que influenciaram as suas composições. Destaca-se a interpretação de um concerto para piano e orquestra de Maurice Ravel em que Hancock é acompanhado pela Orquestra de Câmara Orpheus.
Gershwin's World ganhou em 1999 três Grammys, incluindo o de melhor álbum de jazz tradicional e melhor álbumm R&B Vocal (para Stevie Wonder).
Nos últimos anos Harbie Hancock tem mantido uma carreira bastante activa e colaborado com músicos dos mais variados quadrantes. Salientam-se os álbuns FUTURE2FUTURE (hip hop e techno - 2001), Live at Massey Hall (tributo a Miles Davis e John Coltrane - 2002) e Possibilities (2005) com, entre outros, Sting, Annie Lennox, Christina Aguilera, Paul Simon e Carlos Santana.
O seu último triunfo chama-se River The Joni Letters, que conquistou o Grammy para o álbum do ano em Fevereiro de 2008.
Alberto Velez Grilo
Foto: Eamonn McCabe
Texto baseado em artigos da Wikipedia e conteúdos do site www.herbiehancock.com
River - The Joni Letters - Herbie Hancock
Lançado pela Verve Records em Setembro de 2007, o álbum River - The Joni Letters é uma homenagem de Herbie Hancock a Joni Mitchell.Inovador como sempre, Herbie Hancock conjuntamente com Larry Klein, são os responsáveis pela produção e arranjos das melodias e poemas de Joni Mitchell. A abordagem utilizada foi a de fazer a música expressar os sentimentos expressos na letra, mantendo a linha melódica de Mitchell.
O próprio Hancock diz acerca deste trabalho o seguinte: "Nesta altura da minha carreira, quero fazer algo que toque a vida e o coração das pessoas".
Acompanham Hancock neste álbum:
Wayne Shorter - Sax Tenor e Sax Soprano;
Dave Holland - baixo;
Vinnie Colaiuta - Bateria;
Lionel Loueke - Guitarra.
Para interpretar os temas vocais, Hancock convidou alguns cantores de topo:
Norah Jones;
Tina Turner;
Corinne Bailey Rae;
Joni Mitchell;
Luciana Souza;
Leonard Cohen.
Do álbum fazerm parte os seguintes temas:
Court and Spark - Joni Mitchell (voz: Norah Jones);
Edith and the Kingpin - Joni Mitchell (voz: Tina Turner);
Both Sides Now - Joni Mitchell;
Sweet Bird - Joni Mitchell;
Tea Leaf Prophecy - Joni Mitchell, Larry Klein (voz: Joni Mitchell);
Solitude - Edgar De Lange, Duke Ellington, Irving Mills;
Amelia - Joni Mitchell (voz: Luciana Souza);
Nefertiti - Wayne Shorter
The Jungle Line - Joni Mitchell (voz: Leonard Cohen).
River, lançado no final de Setembro obteve várias nomeações para os Grammy's Awards, tenho vindo a ganhar o prémio para o Melhor Álbum do Ano, o que constitui um marco importantíssimo para a história do jazz.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.herbiehancok.com
Herbie Hancock - In Concert
Lançado em 2001 e reeditado em 2004, o DVD Herbie Hancock In Concert foi gravado para o Bet Jazz (The Jazz Channel) em 2000.O concerto tem como base o trabalho de Herbie Hancock realizado no álbum Gershwin's World em 1998 que lhe valeu três Grammy Awards.
No concerto não são apresentados todos os temas do álbum, que incluí, entre outros, um concerto para piano e orquestra de Maurice Ravel.
Assim, fazem parte deste DVD os seguintes temas:
Fascinating Rhythm - George Gershwin;
St Louis Blues - W.C. Handy;
Cotton Tail - Duke Ellington;
Bluebarry Rhyme - James P. Johnson;
The man I love - George Gershwin e Ira Gershwin;
Here Com De Honey Man - George Gershwin;
Cantaloupe Island - Herbie Hancock;
One Finger Snap - Herbie Hancock;
Maidan Voyage - Herbie Hancock e Jean Carole Hancock.
Para além do concerto, faz parte do DVD um entrevista a Hancock onde o artista fala do trabalho realizado para o álbum Gershwin's World.
O som e a imagem são de bastante qualidade. O DVD peca por ter pouca informação escrita acerca do concerto em si.
Foto: www.image-entertainment.com
terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Edita Gruberová - Soprano
Edita Gruberová nasceu em Bratislava (Eslováquia) a 23 de Dezembro de 1946.Iniciou os seus estudos musicais no conservatório de Bratislava onde foi aluna de Mária Medvecká. Continuou os estudos na Academy of Performing Arts também em Bratislava, fazendo nesta altura parte de um famoso grupo musical de nome Lúcnica (folk)
Em 1968 Gruberová estreia-se na ópera de Bratislava no papel de Rosina da ópera Il Barbiere di Siviglia de Rossini, obtendo um estrondoso sucesso. Nesta altura, a então Checoslováquia encontrava-se em pleno período comunista, estando as fronteiras para o ocidente completamente fechadas. No entanto em 1969, Gruberova consegue, através da sua professora de canto, uma audição na Ópera de Viena. É de imediato aceite e estreia-se no papel de Rainha da Noite na ópera a Flauta Mágica de Mozart. Nesta altura decide fixar-se em Viena e passa a apresentar-se regularmente na Ópera dessa cidade e nas mais importantes casas de ópera.
A voz de Gruberová é um pouco difícil de enquadrar dentro dos parâmetros que dividem as vozes de soprano. No início de carreira podemos considerar a sua voz como a de um soprano de coloratura, isto é com muita agilidade, capaz de executar passagens extremamente rápidas e de atingir notas muito agudas. Já mais recentemente, Gruberová poderá ser considerada como um soprano dramático de coloratura, isto é, com a agilidade e extensão vocal no registo agudo de um soprano de coloratura, mas com maior potência vocal.
O princípio da carreira (soprano de coloratura) foi marcado pelas interpretações notáveis de Zerbinetta da ópera Ariadne auf Naxos de Richard Strauss e da Rainha da Noite da Flauta Mágica de Mozart, aliás Gruberova sempre foi muito elogiada pela crítica nas sua interpretações do reportório Mozartiano.
Mais tarde a cantora lança-se em papeis mais arrojados do reportório Belcantista e mais exigentes do ponto de vista vocal e dramático (soprano dramático de coloratura), nomeadamente em óperas de Bellini, Rossini e Donizetti. De salientar neste campo as interpretações nas famosas óperas de Donizetti: Roberto Devereux (Isabel I), Maria Stuarda e Anna Bolena.
A cantora conta actualmente com 61 anos de idade e não deixa de lançar-se em novas "aventuras". Actualmente interpreta a mais famosa e difícil ópera de Bellini, Norma, e recentemente estreou-se em Lucrezia Bórgia de Donizetti no Gran Teatro del Liceu de Barcelona.
A opinião do críticos relativamente a Gruberová, está longe de ser consensual. Para alguns seu reportório devia restringir-se a Mozart. Para outros as interpretações nas óperas de Bellini, Rosssini e Donizetti são uma referência.
A forma diferente como a cantora "ataca" as notas agudas sempre foi um tema de discussão entre os críticos e o público. Ultimamente a sua capacidade de executar notas agudas em pianíssimo tem sido muito elogiada.
Apelidada por muitos como "Rainha do Bel Canto" dos nossos dias, Gruberová é uma voz de referência no panorama lírico europeu da actualidade.
Ouvir e ver Gruberová em palco é, sem dúvida, uma experiência inolvidável.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.resmusica.com/
Il Barbiere di Siviglia - Gruberová, Flórez, Chernov, Weikert
Lançado pela editora Nightingale Classics em 2004, este triplo CD resulta de uma gravação ao vivo de uma récita da ópera Il Barbiere di Seviglia (O Barbeiro de Sevilha) de Gioacchino Rossini, em Munique em Novembro de 1997.O Barbeiro de Sevilha é uma das óperas de Rossini mais apresentadas no palcos líricos. Esta ópera foi, aliás apresentada na rubrica Lado a Lado com a música a 4 de Dezembro de 2007.
Do elenco fazem parte os seguintes cantores:
Rosina - Edita Gruberová
Berta - Rosa Laghezza
Conte Almaviva - Juan Diego Flórez
Figaro - Vladimir Chernov
Don Bartolo - Enric Serra
Don Basílio - Francesco Ellero d'Artegna
Fiorelli, Ambrogio, Un Ufficiale - James Anderson
Coro e orquestra da Ópera da Baviera sob direcção do Maestro Ralf Weikert.
Destaca-se a interpretação de Edita Gruberová como Rosina, papel que a cantora começou a interpretar desde muito cedo na sua carreira. Em 1997 Gruberová contava já com 50 anos de idade, mas a sua voz mantinha-se, aliás ainda se mantém, com uma frescura e flexibilidade invejáveis, características indispensáveis para a interpretação de Rosina. A ária "Una Voce Poco Fa" prima pelas passagens de coloratura, que não constituem qualquer dificuldade para a cantora, faltou apenas a nota aguda final (Fá) que Gruberová muitas vezes utilizou na interpretação desta ária (embora esta nota não faça parte da partitura de Rossini).
Juan Diego Flórez, hoje em dia uma estrela do mundo da ópera, estava nesta altura no início da sua carreira. A técnica é irrepreensível, mas talvez ainda faltasse um pouco de emoção.
De salientar também a interpretação de Vladimir Chernov como Fígaro.
Este CD ganhou o prémio ECHO klassik 2005 na Alemanha.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.nightingaleclassics.com
Roberto Devreux - Gruberová, Schagidullin, Piland, Aronica, Friedich Haider
A Deutche Grammophon lançou em 2006 este DVD com uma récita da ópera Roberto Devereux de Gaetano Donizetti, gravada em 2005 na Ópera da Baviera em Munique.A ópera Roberto Devereux faz parte de um conjunto de óperas que Donizetti dedicou às Rainhas Tudor, nomeadamente, Anna Bolena, Elisabeth I (Roberto Devereux) e Mary Stuart (Maria Stuarda).
Não sendo uma ópera muito representada nos dias que correm, Roberto Devereux, é, sem dúvida, um dos trabalhos de referência do Bel Canto e uma das melhores e mais dramáticas óperas de Donizetti. A exigência em termos vocais e dramáticos para o soprano que interpreta a personagem de Elisabeth I (ou Elisabetta do libretto em Italiano) será demasiado elevada para a maioria dos sopranos.
Com libretto de Salvatore Cammarano (que terá sido acusado de plagiar Felice Romani), a ópera retrata a infelicidade amorosa de Isabel I, Rainha de Inglaterra, ao ver-se traída por Roberto Devereux, Conde de Essex.
Roberto Devereux já tinha sido tema de pelo menos 3 peças teatrais francesas e embora não seja historicamente preciso, revela-se um drama com bastante interesse.
A historia envolve quatro personagens principais, Elisabetta (Rainha Isabel I de Inglaterra), Roberto Devereux (Conde de Essex), o Duque de Nottingham e Sara (Duquesa de Nottingham). Roberto e Sara estão apaixonados, mas a Rainha, que gosta de Roberto, força Sara, sua amiga e confidente, a casar-se com o Duque de Nottingham enquanto Roberto combate na Irlanda.
Roberto regressa a Inglaterra, mas é acusado de traição pelo Conselho da Rainha. No entanto, esta está disposta a perdoá-lo se ele aceitar o seu amor. Roberto não está disposto a trair Sara e é condenado à morte pela Rainha.
O Duque de Nottingham descobre que Sara e Roberto são amantes, por causa de um lenço azul que vira Sara bordar e que mais tarde encontra nas mãos de Roberto. Sara tenta falar com a Rainha para lhe contar que é a sua rival, mas que está disposta a abdicar do seu amor para salvar Roberto. No entanto o Duque impede-a de sair. Quando Sara consegue por fim falar com a Rainha é tarde demais. Roberto acaba de ser executado.
A ópera termina com a Rainha num acesso de loucura a afirmar que não reinará mais. É nesta altura que canta a ária "Quel sangue versato al cielo", uma das árias mais difíceis do reportório Belcantista.
Do elenco desta récita fazem parte os seguinte interpretes:
Elisabetta (Rainha de Inglaterra) - Edita Gruberová
Il Duca di Nottingham - Albert Schagidullin
Sara - Jeanne Piland
Roberto Devereux - Roberto Aronica
Lord Guglielmo Cecil - Steven Humes
Paggio di Roberto - Nikolay Borchev
Giacomo (Rei da Escócia) - Johannes Klama
O coro e a Orquestra da Ópera da Baviera são dirigidos por Friedrich Haider.
A encenação a cargo de Christof Loy está longe de ser consensual. A acção é transportada para a actualidade, com um escritório como cenário. As personagens vestem sobriamente. Homens e mulheres de fato cinzento ou azul escuro. Um toque de cor somente na personagem de Elisabetta.
Este tipo de encenação, muito ao estilo europeu não é muito apreciada por muitos críticos e por alguns públicos, nomeadamente americanos. Para o público europeu, mais habituado a este novo tipo de abordagem cénica, Christof Loy sai, certamente, com um saldo bastante positivo. Esta encenação valeu-lhe o prémio de Director do Ano atribuído pela revista alemã Opernwelt.
Gruberová interpreta Elisabetta com muita convicção e um poder dramático de excepção. É de Salientar a ária final de extrema exigência em termos vocais e dramáticos que Gruberová, nesta altura com 58 anos, interpreta irrepreensivelmente.
O restante elenco é também satisfatório.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.co.uk
terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Nigel Kennedy
Nigel Kennedy nasceu em Brighton a 28 de Dezembro de 1956.Considerado desde cedo na sua vida como um prodígio para a música, Kennedy aos 10 anos de idade tocava (imitava) no piano o pianista de jazz Fats Waller.
O seu interesse pelo violino e pela música erudita (clássica) tornam-se, no entanto, mais importantes e levam Kennedy a estudar com Yehudi Menuhin e mais tarde a partir para Nova Iorque, onde estudou na Juilliard School com Dorothy DeLay.
Com 16 anos é convidado por Stéphane Grappelli (um violinista do meio do jazz) para um concerto no Carnegie Hall de Nova Iorque. Muito criticado pelos seus professores que temiam um retrocesso na sua carreira clássica, Kennedy aceita o convite e o concerto revela-se um sucesso.
O primeiro álbum de Kennedy surge em 1984, onde interpreta o Concerto para Violino de Elgar, no entanto, o violinista passou a ser mundialmente conhecido pela sua interpretação das "Quatro Estações" de António Vivaldi gravada em 1989 e que vendeu mais de dois milhões de cópias, valendo a Kennedy um lugar no Guinness Book of Records pelo álbum clássico mais vendido de sempre até aquela altura.
Depois de inúmeros concertos um pouco por todo o mundo, Kennedy publica uma auto-biografia em 1991 e retira-se dos palcos durante 5 anos. O regresso passado este tempo foi aclamado pela crítica.
Após vários lançamentos em CD e DVD, Kennedy resolve por em prática a sua paixão pelo jazz e grava o seu primeiro álbum, "Blue Note Sessions", inteiramente dedicado este género musical sob a chancela da Blue Note Records em Nova Iorque. Acompanham Kennedy, Ron Carter (que já tinha acompanhado Miles Davis) em contrabaixo, Jack DeJohnette na bateria e Joe Lovano no saxofone.
Talvez pela sua ligação ao jazz, o espírito de improviso que Kennedy associa às suas interpretações clássicas não é muito bem visto por alguns críticos. Este facto levou a que Kennedy praticamente se recuse a interpretar em Londres.
Críticas à parte, Nigel Kennendy, afirma-se actualmente como um violinista notável sendo as suas capacidade de improvisação e vivacidade de interpretação muito apreciadas por públicos de todas as idades. Aliás, Kennedy tem o mérito de atrair o público mais jovem aos seus concertos, o seu aspecto descontraído e irreverente, contribuem, certamente para este facto.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.geocities.com
Kennedy plays Bach
Lançado pela editora EMI em 2000, o CD "Kennedy plays Bach" constitui uma obra essencial para os amantes de Bach e é o melhor tributo de Nigel Kennedy a este compositor.Johann Sabastian Bach nasceu em Eisenach (Alemanha) a 21 de Março de 1750.
Considerado hoje em dia um dos maiores compositores de sempre, Bach não viu o seu trabalho de composição apreciado ou aclamado durante a sua vida.
As composições de Bach integram-se no designado "Estilo Barroco" (1600 - 1750) que se caracteriza por uma ornamentação musical elaborada e que constituiu um desafio para os interpretes da época e obrigou à introdução de novas técnicas de interpretação (instrumental e vocal).
Das obras de Bach destacam-se o Cravo Bem Temperado que consiste em 48 prelúdios e fugas, A Arte da Fuga com 14 fugas e os famosos Concertos de Brandenburgo (inpirados nas composições de António Vivaldi para vários instrumentos).
Deste álbum fazem parte os seguintes concertos:
Concerto para Violino em Mi maior (BWV 1042)
Concerto para Oboé e Violino em Ré menor (BWV1060)
Concerto para Violino em Lá menor (BWV1041)
Concerto para dois Violinos em Ré menor (BWV1043)
Acompanham Kennedy Albrecht Mayer no Oboé, Daniel Strabrawa no violino e a Filarmónica de Berlim.
Muito ao estilo da época de Bach, Kennedy improvisa algumas partes destes concertos, nomeadamente no concerto em Mi maior e no concerto em La menor.
O sistema de numeração BWV
O registo das obras de Bach foi elaborado por Wolfgang Schmieder e é conhecido pela sigla BWV que significa Back Werke Verzeichnis (Catálogo de obras de Bach). O catálogo foi publicado em 1950.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
Vivaldi - The Four Seasons - Nigel Kennedy
Lançado pela EMI Classics em 2001, o DVD Vivaldi The Four Seasons, retrata a abordagem de Nigel Kennedy a uma das obras de António Vivaldi que o tornou mundialmente conhecido.António Vivaldi nasceu em Veneza a 4 de Março de 1678 e é um dos compositores mais importantes do período Barroco. As quatros Estações contam-se entre as suas obras mais famosas.
Compostas em 1723 e publicadas em 1725, as Quatro Estações não são mais do que quatro concertos para violino e orquestra cada um deles composto por três andamentos, dois andamentos mais rápidos (Allegro ou Presto) e um andamento mais lento (Adágio ou Largo).
Vivaldi consegue transmitir em cada um destes concertos a sensações associadas a cada uma das quatro estações do ano. Aliás, para cada um dos concertos há um soneto que permite acompanhar a música. O autor destes sonetos é desconhecido, mas existe uma teoria de que terá sido o próprio Vivaldi a escrevê-los.
Assim:
Na primavera, talvez o concerto mais conhecido de Vivaldi, são-nos transmitidas sensações de bem estar como se estivéssemos num agradável ambiente campestre.
O verão começa com um certa calma, mas evolui para um tempestade, com relâmpagos, trovões e chuvas fortes (típico nas zonas mediterrânicas).
O Outono evoca uma dança, uma festa dos sentidos, uma diversão.
Finalmente no Inverno é-nos transmitida um sensação de ambiente gelado.
Fazem parte das Quatro Estações os seguintes concertos:
Concerto Nº 1 em Mi maior - Primavera
1 - Aleggro
2 - Largo
3 . Allegro Pastorale
Concerto nº 2 em Sol menor - Verão
1 - Allegro com molto
2 - Adagio e Piano - Presto Forte
3 - Presto
Concerto nº 3 em Fá maior - Outono
1 - Allegri
2 - Adagio molto
3 - Allegro
Concerto nº 4 em Fá menor - Inverno
1 - Allegro com Molto
2 - Largo
3 - Allegro
O DVD de Kennedy foi gravado em 1990, num concerto onde é acompanhado pela English Chamber Orchestra.
Para além do concerto, o DVD conta com uma entrevista de Kennedy onde o próprio nos dá a sua visão muito particular da obra de Vivaldi.
A English Chamber Orchestra é dirigida pelo próprio violinista que faz uma abordagem muito particular das Quatros Estações, com alguma improvisação nalguns andamentos e com alguma caracterização dos elementos da orquestra. Por exemplo quando é interpretado o Verão, os músicos estão de óculos de sol. Com esta abordagem, Kennedy tenta (e consegue) captar a atenção de um público mais jovem.
Com a sua irreverência e o seu estilo criativo, a abordagem de Kennedy à Quatros Estações de Vivaldi ficará, certamente na história.
Alberto Velez Grilo
foto: www.fnac.pt
terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Elis Regina

Começou a sua carreira de cantora com apenas 11 anos de idade, num programa para crianças de uma rádio local.
Gravou o primeiro disco "Viva a Brotolândia" em 1961 com 16 anos.
Logo nesta altura, Elis Regina começou a afirmar-se como uma das maiores vozes do Brasil, com uma escolha muito cuidadosa de reportório, que incluía os grandes autores compositores dos estilos Bossa Nova e MPB (Música Popular Brasileira).
Durante os anos 60, 70 e 80, Elis construiu uma carreira bastante sólida, baseada no perfeccionismo técnico e na emoção e energia que transmitia nos seus concertos.
Da sua curta, mas assombrosa carreira, destaca-se em 1975 o espectáculo "Falso Brilhante", que mais tarde originou um disco com o mesmo nome e que ficou um ano em cartaz com perto de 300 apresentações. Desatacam-se também as suas participações em várias edições do "Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) e no especial "Mulher 80" (Rede Globo).
Um outro mérito de Elis Regina, foi ter lançando vários compositores brasileiros desconhecidos até então. Nomes como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Gilberto Gil e João Bosco, hoje amplamente conhecidos, muito devem à cantora a sua apresentação e aceitação dos públicos brasileiro e internacional.
Ao lado de uma carreira brilhante, Elis criticou muitas vezes a ditadura Brasileira (Anos de Chumbo) e a perseguição política que era feita pelo regime aos músicos. Diz-se que foi a sua popularidade que a manteve fora da prisão.
Políticas à parte, Elis Regina ficará para a história como uma cantora de grande qualidade técnica e com um sentido artístico muito apurado. Temas como Arrastão, Corcovado, Aquarela do Brasil, Águas de Março e Rebento, entre outros, ficarão para sempre gravados na memória do publico brasileiro e internacional que tanto a apreciou.
Elis morre no dia 19 de Janeiro de 1982 aos 36 anos, devido a problemas de saúde relacionados com o abuso de drogas e alcoól.
Alberto Velez Grilo
Foto: atuleirus.weblog.com.pt
Texto baseado no livro Os Caminhos do Jazz de Guido Boffi.
Elis Regina - Montreux Jazz Festival
Lançado pela Warner Music Brasil em 2001, este CD é um relato hitórico da passagem de Elis Regina pelo "Festival de Jazz de Monterux" em 1979.Neste ano Elis Regina era a cabeça de Cartaz da "Noite Brasileira" do Festival e o seu concerto encontrava-se há muito tempo esgotado. Face à insistência da organização, Elis decide fazer uma matinée no dia do concerto.
A matinée esgotou e Elis encantou. Diz-se que este espectáculo foi como um ensaio geral para o espectáculo que ocorreria durante a noite.
Elis esteve soberba na matinée. Cantou com segurança e com técnica, mas com alguma contenção emocional, os temas que já a tinham celebrizado junto do publico brasileiro e que tiveram muito boa aceitação junto do publico internacional do Festival.
A "noite Brasileira" iniciou-se com uma actuação do pianista Hermeto Paschoal, muito conhecido do meio Jazzistíco internacional, que com a sua banda de músicos fez a casa vir abaixo. No final desta parte do espectáculo o publico aplaudiu Hermeto durante mais de 15 minutos.
O êxito de Hermeto Paschoal, colocou alguma pressão em Elis que se apresentaria logo de seguida. Elis entrou em palco nervosa e pouco emotiva. Conta-se que ao fim dos primeiros 10 minutos de actuação se encontrava exausta. Cantou com precisão mas sem emoção. O público apreciou a sua apresentação mas os aplausos foram mais comedidos. Hermeto tinha ganho a noite.
Quando Elis sai de palco o apresentador chama de novo Hermeto e, surpresas das surpresas, chama também Elis. Os dois talentos estavam assim juntos em palco para fechar a noite. Elis, contrariada, acedeu e entrou em palco.
Hermeto começa a tocar "Corcovado" e quando Elis começa a cantar, o experimentado músico de Jazz, começa a mudar harmonias a e improvisar no piano. Elis acompanha, desafiando o pianista, cresce a cada nota, improvisa. Segue-se "Garota de Ipanema" que Elis detestava e que tinha afirmado que nunca cantaria. Hesita, mas resolve cantar. Canta em português e em inglês. O público entra em delírio.
No final dos espectáculo Elis faz André Midani, o seu produtor, prometer que nunca lançaria em disco o concerto do Festival.
No entanto, Elis morre três anos mais tarde, e André Midani, resolve quebrar a promessa e lançar em 84 um LP onde juntou algumas músicas da matinée com os temas interpretados com Hermeto.
Em 2001, lança este CD com base no LP e em mais algumas músicas da matinée.
Assim, do CD fazem parte os seguintes temas:
Cobra Criada - João Bosco, Paulo Emílio
Cai Dentro - banden Powell, Paulo César Pinheiro
Madalena - Ivan Lins, Ronaldo Monteiro
Ponta de Areia - Milton Nascimento, Fernando Brant
Fé Cega Faca Amolada - Milton Nascimento, Fernando Brant
Maria Maria - Milton Nascimento, Fernando Brant
Na Baixa do Sapateiro - Ary Barroso
Upa Neguinho - Edu Lobo, Gianfranciesco Guarnieri
Corcovado - Tom Jobim
Garota de Ipanema - Tom Jobim, Vinícius de Moraes
Asa Branca - Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira
Amor Até ao Fim - Gilberto Gil
Mancanda - Gilberto Gil
Samba Do brado - Djavan
Rebento - Gilberto Gil
Águas de Março - Tom Jobim
Onze Fitas - Fátima Guedes
Agora Tá - Tunai, Sérgio Natureza
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
Texto baseado na documentação incluido no CD da autoria de Nelson Motta.
Elis Regina Carvalho Costa - Série Grandes Nomes TV Globo
Reeditado em 2005 pela Vidisco, o DVD Elis Regina Carvalho Costa, está incluído numa série de concertos realizados pela TV Globo (Brasil) denominada Grande Nomes TV Globo.A gravação ocorreu no dia 3 de Outubro de 1980, uma ano depois da passagem de Elis pelo Festival de Montreux.
Com um cenário fora do comum, Elis apresenta-se como artista de circo, numa tenda de chita.
O DVD inclui também uma entrevista com Daniel Filho que dirigiu a realização do espectáculo para a TV Globo. Nesta entrevista está bem patente o papel de Elis Regina no meio musical brasileiro.
Fazem parte do concerto os seguintes temas:
Abertura. Arratão (Instrumental) - Edu Lobo, Vinícios de Moraes
Querelas da Brasil - Maurício Tapajóes, Aldir Blanc
Agora Tá - Tunai, Sérgio Natureza
Alô, Alô Marciano - Rita Lee, Roberto de Carvalho
Essa Mulher - Joyce, Ana Terra
Atrás da Porta - Chico Buarque, Francis Hime
Cadeira Vazia - Lupicinio Rodrigues, Alcides Gonçalves
Conversando no Bar - Milton Nascimento, Fernando Brant
O Bêbado e a Equilibrista - João Bosco, Aldir Blanc
Aos Nossos Filhos - Ivan Lins, Vítor Martins
Modinha - Tom Jobim, Vinícius de Moraes
Rebento - Gilberto Gil
Aquarela do Brasil - Ary Barroso
O que Foi Feito Devera - Milton Nascimento, Frenando Brant
Redescobrir - Gonzaguinha
Acompanham Elis:
César Camargo Mariano - Arranjo e piano
Sérgio Henriques - Teclados
Nonô Camargo - Trompete
Cláudio Faria - Trompete
Octávio Bangla Sax Tenor
Don Chacal - Bateria
Paulo Garfunkel - Sax Alto, Flauta, Clariente
Chiquinho Brandão - Flauta
Natan Marques - Guitarra
Kzam Gama - Baixo
Bocato - Trombone
Picolé - Bateria
Lino Simão - Sax Tenor
Alberto Velez Grilo
Foto: www.fnac.com
terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
Ella Fitzgerald
Ella Jane Fitzgerald nasceu em Newport News no estado da Virgínia (Estado Unidos da América) a 25 de Abril de 1917.Ella teve uma infância conturbada, com a separação dos pais e a morte da mãe. Viveu nesta altura na Virgínia, em Nova Iorque e novamente na Virgínia. Chegou a ser internada num reformatório de onde fugiu para viver algum tempo nas ruas.
Interessou-se desde muito cedo pela dança e pretendia ser bailarina. No entanto, adorava Jazz e ouvia frequentemente as gravações de Louis Armstrong, Bing Crosby e The Boswell Systers.
O interesse pela dança foi colocado de parte quando debutou como cantora a 21 de Novembro de 1934 (já de novo em Nova Iorque) no Apollo Theather (Harlem). Ganhou nesse dia o concurso para cantores e pode dizer-se que foi nesse momento que começou a sua meteórica carreira.
Detentora de uma voz extraordinária pelos seus naturais dotes de frescura, extensão (3 oitavas) e elasticidade, Ella começou por integrar a banda do baterista Chick Webb em 1935, obtendo, repentinamente, êxitos por toda a parte. Em 1938, grava com esta banda "A-Tisket, A-Tasket" (co-autora) que se tornou num enorme sucesso, junto do público.
Chick Webb morre em 1939 e Ella assume a direcção da Banda que foi renomeada "Ella Fitzgerald and Her Famous Orchestra".
Em 1942 termina a banda e Ella dedica-se a uma carreira a solo, assinando contrato com a editora discográfica Decca. Na segunda metade da década de 1940 contactou com o "novo" estilo bebop ingressando na grande orquestra de Dizzy Gillespie. Nesta época, abandona-se a divertimento de fazer música por puro prazer e o seu "scat" florescente (canto entoado sobre sílabas sem sentido escolhidas só pelo seu gosto rítmico e fónico) tornou-se um dos mais interessantes e perfeitos da história do Jazz. O seu álbum de 1945 "Flying Home", foi descrito anos mais tarde pelo New York Times como um dos trabalhos com mais influência no Jazz vocal da época.
Entre 1946 e 1951 gravou com Louis Armstrong um conjunto de obras, semeado de pequenas maravilhas, nas quais a simplicidade, o humor e o contraste das duas vozes são verdadeiramente notáveis.
Em 1955, Ella Fitzgerald deixa a Decca e passa a gravar para a editora criada pelo seu "manager" Norman Granz - Verve Records. Até esta altura a cantora sempre assumiu que o seu estilo era o bebop e que a sua carreira giraria sempre à sua volta. No entanto, um pouco influenciada pro Norman Granz, Ella sentiu que havia muito mais coisas igualmente interessantes que poderia fazer com a sua voz. Lança, assim, e, 1956 o álbum "Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook", conquistando assim audiências fora do meio jazzístico.
Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook foi o primeiro de oito "Songbooks" lançados pela Verve Records entre 1956 e 1964. Os compositores escolhidos para cada um dos álbuns, em que Fitzgerald grava temas conhecidos e algumas raridades, constituem um dos legados mais importantes deixados pela cantora para a história da música (isto mesmo considerando que os estilos interpretados se afastam muitas vezes do Jazz e se enquadram mais no pop).
Entre 1972 e 1983 Ella volta a gravar álbuns inteiramente dedicados a canções de compositores como Cole Porter (Ella Louves Cole), George Gershwin (Nice Work If You Can Get It) e António Carlos (Tom) Jobim (Ella Abraça Jobim).
Mesmo gravando estes trabalhos um pouco fora do âmbito do Jazz, a cantora nunca deixou durante a sua carreira, de fazer digressões um pouco por toda a parte, afirmado-se como uma das melhores cantoras de Jazz de sempre.
Em 1972 o sucesso estrondoso da álbum "Jazz at Santa Monica Civic'72" fez com que Norman Granz, que entretanto tinha vendido a Verve à MGM em 1967, voltasse a criar uma editora discográfica a Pablo Reccords, novamente focalizada na carreira de Ella Fitzgerald. Ella grava cerca de 20 álbuns para esta editora.
Durante os final da década de 1980, a voz de Ella entra em decadência, com o recurso intensivo a pequenas frases (associado à respiração deficiente) e a um vibrato excessivo (vibração excessiva da voz que geralmente surge nos cantores com mais idade).
Já com alguns problemas de saúde, Ella grava o seu último álbum em 1991 e o seu último espectáculo ocorreu em 1993.
Ella Fitzgerald morre a 15 de Junho de 1996.
No seu livro "Os caminhos do Jazz", Guido Boffi sintetiza da seguinte forma a carreira desta cantora - "Para a história do Jazz, Ella Fitzgerald permanecerá uma cantora completa, que escolheu um estilo baseado sobretudo na pureza de expressão, na valorização do ritmo, na flexibilidade tímbrica e no conhecimento técnico, frutos de um trabalho duro e sistemático".
Alberto Velez Grilo
Foto: www.geocities.com
Texto baseado no livro Os Caminhos do Jazz de Guido Boffi.
Ella Fitzgerald & Louis Armstrong for Lovers
Lançado em 2005 pela Verve Records, este álbum reúne dois nomes grandes do Jazz. Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.O CD é uma compilação de temas incluídos noutros álbuns de Ella Fitzgerald disponíveis na mesma editora, nomeadamente Ella and Louis (1956), Ella and Friends (1950) e Ella and Louis Again (1957).
Acompanham Ella Fitzgerald (voz) e Louis Armostrong (trompete e voz):
Oscar Peterson (piano)
Herb Ellis (guitarra)
Ray Brown (baixo)
Louie Bellson, Bud Rich e Johnny Blowers (bateria)
Paul Webster (trompete)
Hank D'Amico (Clarinete)
Frank Ludwig (sax tenor)
Hank Jones (piano)
Everett Barksdale (guitarra)
Orquestra de Sy Oliver (direcção e arranjos)
Segundo a editora, o álbum reúne 11 da canções de amor mais belas alguma vez escritas, apresentadas com um novo significado, uma nova química e uma nova "vida" por Ella Fitzgerald e Louis Armstrong nas raras ocasiões em que se reuniram para gravar em estúdio.
Fazem parte desta compilação os seguintes temas:
The Nearness of You - (Hoagy Carmichael - Ned Washington)
Stars Fell on Alabama - (Frank Perkins - Mitchell Parish)
Dream a Little Dream of Me - (Fabian Andre - Wilbur Schwandt - Gus Kahn)
Under a Blanket of Blue - (Jerry Livingston - Al J. Neiburg - Marry Symes)
Moonlight in Vermont - (Karl Suessdorf - John Blackburn)
Love is Here To Sty - (George Gershwin - Ira Gershwin)
Let's Do It (Let's Fall in Love) - Cole Porter)
Would You Like To take a Walk - (Harry Warren - Mort Dixon - Billy Rose)
Isn't This a Lovely Day) - (Irving Berlin)
Autumm in New York - (Vermon Duke)
Tenderly - (Walter Gross - Jack Lawrence)
A voz de Ella conjuntamente com a trompete e a voz rouca e grave de Louis, resultam numa combinação perfeita para interpretar estes temas com um acentuado carácter romântico e sensual.
Alberto Velez Grilo
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Ella Fitzgerald - Live At Montreux 1969
Lançado pela Eagle Vision em 2005, este DVD retrata a primeira passagem de Ella Fitzgerald pelo Festival de Jazz De Montreux.Pelo Festival de Jazz de Montreux têm passado, desde a sua fundação em 1967, os maiores nomes do Jazz (e não só, a partir dos anos 70 o festival abriu-se a outros tipos de música, mantendo o Jazz como referência).
Nesta altura já a carreira de Ella Fitzgerald se tinha afirmado dentro e fora do mundo do Jazz.
Neste concerto de 1969, Ella apresenta um reportório que vai desde o Jazz mais puro ou clássico até ao Pop. Diz-se que os críticos estavam um pouco cépticos com o reportório escolhido, mas que o resultado final foi excelente e esta primeira passagem de Ella pelo festival constituiu um marco importante.
Acompanhada por Tommy Flanagan (paino) e por Frank De La Rosa (contrabaixo) e Ed Thigpen (bateria), Ella interpreta os seguentes temas:
Give me That Simple Live
This Girl's in Love With You
I Won't Dance
A Place for Lovers
That Old Black Magic
Useless Landscape
I Love You Madly
Trouble Is a Man
A Man and a Woman
Sunshine of Your Love
Well Alright Okay You Win
Hey Jude
Scat Medley
A House is Not a Home
Controverso para alguns, por não contemplar apenas temas de Jazz, nesta passagem de Ella Fitezgerald pelo Festival de Jazz de Montreux, este DVD é, no entanto, uma referência para todos os que apreciam a voz e arte da cantora dentro e fora do Jazz.
Alberto Velez Grilo
foto: www.fnac.pt
terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
Dame Joan Sutherland - La Stupenda
Joan Sutherland nasceu em Sydney na Austrália, a 7 de Novembro de 1926. Como a maioria dos grandes cantores, Sutherland teve desde cedo contacto com a música. A sua mãe era mezzo-soprano e mesmo em criança a pequena Joan escutava com atenção a sua.Aos 18 anos inicia aulas de canto com Aida e John Dickens que concluem imediatamente que a sua voz não é de mezzo-soprano, mas sim de soprano, isto é, com um registo mais agudo. Conta-se que Sutherland ficou surpreendida com esta conclusão dos seus professores, uma vez que sempre tinha estudado com a mãe num registo de mezzo-soprano, menos agudo, portanto.
Em 1948, Joan Sutherland conhece um jovem pianista, Richard Bonynge que passou a acompanhá-la em alguns recitais na Austrália e que se viria a tornar-se uma das pessoas mais importantes da sua carreia e da sua vida (casariam uns anos mais tarde). Bonynge era de opinião que a voz de Sutherland poderia ser trabalhada num registo ainda mais agudo do que aquele em que estava a trabalhar. Joan tinha uma voz gigantesca em termos de potência e pensou na altura que seria um soprano dramático . Um soprano dramático tem uma voz com uma grande potência, mas com pouca agilidade (dificuldade em executar passagens muito rápidas ou notas muito agudas). Este tipo de voz é ideal para as óperas de Wagner.
Depois de uma breve carreira como "dactilógrafa" e de ter ganho alguns concursos de voz, nomeadamente em 1949 o "Sydney Sun Aria" e em 1950 o "Mobil Quest", Joan Sutherland parte para Londres para pôr em prática o seu grande sonho, tornar-se cantora residente da Royal Opera House, um dos maiores teatros de ópera da altura (e da actualidade).
Em Londres volta a encontrar Richard Bonynge com quem casa em 1954. Joan tem como professor de canto Clive Carey e Richard Bonynge estuda composição e regência.
Mais uma vez nos seus estudos em Londres, Sutherland desenvolveu a sua voz como soprano dramático, embora Bonynge estivesse convencido que a sua voz detinha uma agilidade especial e capacidade para ser trabalhada num registo mais agudo.
Depois de uma audição na Royal Opera House (Covent Garden), é-lhe oferecido um contrato de dois anos nesta casa de ópera. Joan estreia-se na ópera "A Flauta Mágica de Mozart" em 1952. Ainda nesse ano estreia-se como Clotilde (personagem secundária) na ópera "Norma" de Bellini, ao lado de Maria Callas. Foi esta a única ocasião em que as duas Divas cantaram juntas.
Com a ajuda e entusiasmo de Richard Bonynge, estreia-se também em 1952 no papel principal de Amélia na ópera de Verdi "Um Baile de Máscaras".
Por esta altura, e embora com várias apresentações em diferentes papeis na Royal Opera House, Richard Bonynge convence Sutherland de que a sua voz é ideal para interpretação de repertório de Bel canto, isto é, Sutherland possuía um tipo de voz raro. Era um soprano dramático de coloratura, uma voz de soprano com uma potência considerável, mas também com muita agilidade e com capacidade de atingir notas extremamente agudas.
A 17 de Fevereiro de 1959 dá-se uma viragem na então curta carreira de Sutherland. Deu-se nesse dia a estreia da ópera "Lucia de Lammermoor" de Donizetti na Royal Opera House. Sutherland assumiu o papel principal de Lucia, dirigida pelo maestro Tulio Serafin. Da ópera faz parte uma ária de loucura, característica de muitas óperas de Bel canto, em que a personagem, como o próprio nome indica, enlouquece. Estas árias são de extrema dificuldade de execução, quer a nível vocal, que a nível cénico. Sutherland foi um sucesso estrondoso. Como se costuma dizer "a casa vaio abaixo com aplausos".
A partir daqui a carreira de Sutherland foi catapultada e as estreias nos mais famosos teatros de ópera do mundo (Milão, Veneza, Paris, Nova Iorque, etc) foram enormes sucessos. Sutherland passa a ser dirigida por Bonynge em praticamente todas as suas actuações e depois de uma récita ocorrida no Teatro La Fenice de Veneza, Sutherland passa a ser chamada de La Stupenda.
Devido às capacidades da sua voz, Sutherland e Bonynge recuperaram muitas operas do repertório de Bel canto (compositores dos séc. XVIII e XIX), trabalho já iniciado por Maria Callas durante a sua carreira, óperas estas que estavam afastadas dos palco há longos anos.
Sempre com muito cuidado na escolha dos seus trabalhos, Sutherland conseguiu que a sua voz se mantivesse praticamente intacta durante décadas. Trabalhou com os melhores cantores da sua época e deixou um legado importantíssimo em gravações de áudio e vídeo.
Destacam-se as suas interpretações de:
Lucia - Lucia de Lammermoor (Donizetti)
Norma - Norma (Bellini)
Elvira - I Puritani (Bellini)
Maria - Maria Stuarda (Donizetti)
Amina - La Sonnambula (Bellini)
Marie - La Fille du Regiment (Donizetti)
Semiramide - Semiramide (Rossini)
Lucrezia - Lucrezia Borgia (Donizetti)
Anna - Anna Bolena (Donizetti)
Violetta - La Traviata (Verdi)
Gilda - Rigoletto (Verdi)
Elvira - Il Trovatore (Verdi)
Terminou a sua carreira no dia de Ano Novo em 1990 (aos 63 anos) na Royal Opera House, ao Lado de Luciano Pavarotti e de Marylin Horne com quem tinha trabalhado inúmeras vezes.
Ao longo da sua vida recebeu várias condecorações sendo a mais importante a de "Comandante do Império Britânico" concedida pela Rainha Isabel II em 1961. Passou a designar-se a partir desta data Dame Joan Sutherland.
Continua ainda hoje a sua actividade no meio musical como júri de alguns concursos de canto.
Joan Sutherland é para muitos a "Voz do século XX"
Alberto Velez Grilo
Foto: ildolcesuono.blogspot.com
Joan Sutherland - The voice of The Century
A Decca lançou em Novembro de 2006 esta colectânea de árias, duetos e canções interpretadas por Joan Sutherland, para comemorar o seu octogésimo aniversário e a sua ligação a esta editora ao longo de mais de trinta anos.O duplo CD cobre uma parte importante da longa carreira de Sutherland e inclui gravações de estúdio ocorridas entre 1960 e 1988.
Além dos CD's, a obra inclui cerca de 100 páginas de informação sobre a vida e a carreira de Sutherland e apresenta uma lista de todas as óperas e recitais gravados pela cantora com o selo Decca.
Por cobrir praticamente toda a carreira de Sutherland, é possível acompanhar as alterações de voz que se foram verificando ao longo do tempo.
Sutherland foi sempre muito inteligente na escolha do seu repertório, deixando algumas interpretações para o final da sua carreira, o que não acontece com muitos cantores da actualidade (que muitas vezes vêem as suas carreiras destruídas precocemente) . São exemplos disso, as óperas Lucrécia Borgia (Donizetti), cuja ária " Era desso il figlio mio" faz parte desta colectânea, e Anna Bolena (Donizetti). A sua técnica incomparável, permitiu-lhe executar os papeis mais difíceis até ao final da carreira.
Os duetos são todos interpretados com Luciano Pavarotti com quem Sutherland gravou inúmeras óperas com o selo da Decca. Aliás, foi Sutherland quem lançou Pavarotti nos mais importantes palcos operáticos do mundo.
O repertório escolhido pela Decca demonstra bem as capacidades vocais de Sutherland. Salientam-se obras dos seguintes compositores (por ordem das obras apresentadas nos CD's)
Gounod
Verdi
Delibes
Bizet
Donizetti
Bellini
Offenbach
Heuberger
J. Strauss
Massenet
Rossini
Lehár
Noel Coward
Puccini
Sutherland é dirigida por Molinari-Pradelli, John Pritchard e, obviamente, Richard Bonynge.
De salientar a presença de uma ária que nunca tinha sido incluída em nenhum dos lançamentos anteriores da Decca: "Ancor non guinse...Perchè non ho del vento...Toma, toma, o caro oggeto" da ópera Rosmonda D'Inghilterra de Donizetti.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.fnac.pt
Lucia de Lammermoor - Gaetano Donizetti
A Deutsche Grammophon lançou em Novembro de 2005 este DVD gravado numa récita da ópera Lucia de Lammermoor ocorrida na Metrpolitan Opera House (Nova Iorque) em 1982.Lucia de Lammermoor é uma ópera trágica em três actos com música de Gaetano Donizetti e libretto de Salvatore Cammarano, baseada no romance histórico "The Bride of Lammermoor" de Sir Walter Scott. A estreia ocorreu no ano de 1835 no Teatro San Carlo em Nápoles.
A acção decorre na Escócia em 1669 e relata a tragédia que ocorre quando Lucia e Edgardo, pertencentes a famílias que há muito se odeiam, se apaixonam um pelo outro. Enrico, irmão de Lucia, descobre o romance entre os dois e rapidamente se apressa a encontrar um pretendente para a sua irmã.
Lucia vive entusiasmada com o seu amor por Edgardo, mas atormentada por um suposto fantasma de uma mulher assassinada na fonte dos jardins do castelo onde vive (aria "Regnava nel Silenzio").
Num dos seu encontros amorosos, Edgardo diz a Lucia que tem que partir para França para combater, mas que quando voltar proporá tréguas entre as famílias e pedirá a mão de Lucia.
Passa-se algum tempo. Arturo consegue interceptar uma carta de Edgardo para Lucia e com base nela, falsifica uma nova carta que supostamente Edgardo teria escrito para outra mulher. Convencida de que Edgardo a trai, Lucia aceita a proposta do irmão para casar com Arturo.
Na festa de noivado entre Lucia e Arturo, a pobre Lucia assina o contrato de casamento. Momentos depois entra Edgardo que a acusa de traição (famoso sexteto "Chi mi frena").
A tragédia começa quando Lucia na noite de núpcias assassina o seu marido Arturo. Quando os convidados ainda se encontram a festejar o casamento, Lucia aparece perante eles com as vestes ensanguentadas e num estado delirante. Inicia-se, assim, a famosa cena da loucura. Lucia imagina que está a casar com Edgardo, faz movimentos completamente despropositados (ária "Il dolce suono me colpi"). Chega o seu irmão Enrico, que ao ver Lucia num estado demente é tolhido por um enorme sentimento de remorso. Lucia canta "Spargi d'amaro pianto" onde promete que rezará por Edgardo no céu e lá esperará por ele. Desfalece depois, perante o horror de todos.
Edgardo, por seu lado, prepara o seu suicídio. Sem Lucia não valerá a pena viver. Alguém passa e lhe comunica o que se passou. Comunica-lhe também que Lucia acabara de falecer. Sabendo que Lucia nunca o havia traído e que morreu por ele, Edagardo consuma o suicídio.
Lucia de Lammermoor é das óperas de Donizetti mais apresentadas nos palcos actualmente. A sua recuperação deve-se em muito a Maria Callas que voltou a interpretá-la no início da década de 1950 e depois a Joan Sutherland a partir de 1959. Lucia de Lammermoor foi mesmo a ópera que lançou Joan Sutherland para o estrelato no mundo operático depois de uma famosa récita ocorrida na Royal Opera House de Londres em Fevereiro de 1959. Conta-se que Maria Callas assistiu a uma das récitas e que comentou que nunca conseguiria interpretar a cena de loucura como Joan Sutherland (isto depois de Sutherland se atirar literalmente de uma escada abaixo no final da cena).
Sutherland viria a encarnar Lucia de Lammermoor inúmeras vezes durante a sua carreira. Interpretou Lucia pela última vez em 1988 no Garn Teatre del Liceu de Barcelona em 1988, isto é, 29 anos depois da estreia de Londres.
Não existem infelizmente em vídeo, gravações das primeiras Lucias de Sutherland.
O DVD que apresentamos foi realizado em 1982 quando Sutherland tinha já 55 anos de idade. No entanto, a interpretação pode ser considerada de altíssimo nível e a cena de loucura interpretada magistralmente. Os aplausos no final da cena são prova disto mesmo.
Acompanha Sutherland um grande tenor de nome Alfredo Kraus (Edgardo) que, curiosamente, também a acompanhou na última récita em Barcelona.
Assim, o elenco é:
Joan Sutherland
Alfredo Kraus
Pablo Elvira
Paul Plishka
Orquestra e coro da Metropolitan Opera House dirigidos por Richard Bonynge.
Existe para além desta, uma outra gravação da Lucia de Lammermoor com a Sutherland ocorrida na Austrália em 1986. A interpretação de Sutherland está ao mesmo nível, mas o resto do elenco é de qualidade um pouco inferior.
Actualmente a ópera Lucia de Lammermoor continua a ser regularmente apresentada nos teatros de ópera e com intérpretes de grande qualidade. Saliento as interpretações de Edita Gruberova, Mariella Devia, June Anderson e Natalie Dessay.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.deutschegrammophon.com
terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Miles Davis - Uma Lenda do Jazz
No seu livro "Os Caminhos do Jazz", Guido Boffi afirma - "Não existe, no mundo do Jazz, um outro músico que, de modo análogo a Miles Davis, tenha sido capaz de atravessar com a sua trompete muitos movimentos fervilhantes que nasciam progressivamente na modera cena musical jazzistíca... Davis foi até ao fim um artista sensibilíssimo na apresentação das novas tendências e das mudanças nas novas formas de expressão".Começamos, assim, no Lado a Lado com a Música a nossa deambulação pelo mundo do Jazz.
Miles Davis nasceu nos Estado Unidos da América em Alton - Illinois em 26 de Maio de 1926. Cedo começou o seu interesse pela música. A mãe pretendia que estudasse piano, mas uma trompete oferecida pelo pai despertou mais interesse a Miles. Era o início.
Depois de concluir os seus estudos de iniciação musical e de ter pertencido a algumas bandas no Illinois, Miles muda-se para Nova Iorque aos 19 anos, com uma bolsa de estudo na Juilliard Scholl of Music. Cedo abandona os estudos e passa a pertencer ao quinteto liderado por Charlie Parker. Surguem a primeiras gravações integradas no estilo bebop.
Em 1948 surgem os primeiros contactos entre Miles Davis e o pianista Gil Evans, que nos seus arranjos utilizava instrumentos que na altura não faziam parte das bandas de jazz como a tuba e o corne francês. Surge assim, o que na altura foi considerando, um insólito noneto (tuba, corne francês, trombone, trompete, sax contralto e sax barítono, piano, contrabaixo e bateria), liderado por Miles e que permite novas e mais leves sonoridades afastando-se, assim, do bebop. A esta nova corrente chamou-se cool jazz. O noneto designado por "Tuba Band" é considerado por muitos críticos umas das mais fascinantes bandas de jazz de todos os tempos.
Após uma fase obscura e de repensamento, Miles funda em 1955 um quinteto destinado a entrar na história do jazz. O Miles Davis Quintet formado para além do próprio Miles Davis como trompetista, por John Coltrane no sax tenor, Red Garland no baixo, Paul Chambers no contrabaixo e Philly Jo Jones na bateria, adopta um estilo próximo do bebop, mas com uma influência do blues e do gospel (hard bop), introduzida principalmente pela presença do saxofone. O quinteto é dissolvido em 1957, uma vez que Miles se opunha ao consumo de droga por parte de alguns dos seus participantes.
Em 1957 grava, improvisando, a banda sonora do filme Fim de Semana no Ascensor de Louis Malle, obra que contém antecipações para a viragem de Miles para a modalidade.
Para dar voz a este conceito derivado da música antiga grega e da eclesiástica medieval, reúne de novo em 1958 Red Garland, Paul Chambers Philly Jo Jones e John Coltrane a quem junta no sax alto Julian "Cannonball" Adderley e no piano Bill Evans. Grava nesta altura Kind of Blue considerado por muitos o melhor disco de Miles Davis e um dos álbuns mais belos e importantes de toda a história do jazz.
Em 1963 Miles forma um novo quinteto mas abandonado em parte pelo público ligou-se ao rock e introduziu instrumentos eléctricos no conjunto (1969). Reune Wayne Shorter (sax soprano), Cick Corea e Herbie Hancock (pianos eléctricos) Joe Zawinul (órgão), John McLaughlin (guitarra), Dave Holland (contrabaixo) e Tony Williams(bateria). Esta ligação ao rock foi criticada por muitos apreciadores de jazz.
Até ao inicio dos anos 90 Miles continua a gravar e a viajar por todo o mundo em inúmeros concertos, mudando várias vezes de editora e continuando a ser criticado por muitos por se afastar do jazz. No entanto, mesmo nesta fase, a sonoridade característica da trompete de Miles foi sempre mantida.
A 28 de Setembro de 1991, Miles morre, deixando um legado enorme de gravações em disco e vídeo.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
Texto baseado no livro Os Caminhos do Jazz de Guido Boffi e em artigos da Wikipedia.
Kind of Blue - Miles Davis
O álbum Kind of Blue, editado pela Columbia em 1959 e reeditado inúmeras vezes é, talvez, o trabalho mais significativo de Miles Davis.Com uma linha melódica invejável num estilo próximo do jazz modal, este álbum faz, certamente parte da colecção discográfica de qualquer apreciador de jazz. Para os menos aficionados ou para os que são ainda apenas curiosos, esta é uma boa obra para iniciação.
Kind of Blue surge depois de Miles ter dissolvido o famoso Miles Davis Quintet que se celebrizou entre 1955 e 1957.
No entanto, em 1959 Miles volta a reunir alguns elementos do quinteto, nomeadamente no caso do álbum Kind of Blue, Paul Chambers e Jonh Coltrane, a quem junta Julian "Cannonball" Adderley, James Cobb e Wynton Kelly e Bill Evens (pianista branco).
Assim, Kind of Blue conta com as interpretações de:
Miles Davis - Trompete;
Julian "Cannonball" Adderley - Sax Alto
John Coltrane - Sax Tenor
Wynton Kelly - Piano (Faixa 2)
Bill Evans - Piano
Paul Chambers - Contrabaixo
Jimmy Cobb - Bateria
Fazem parte do álbuns os seguinte temas, todos compostos por Miles Davis:
So What
Freddie Freeloader
Blue in Green
Al Blues
Flamengo Sketches
Kind of Blue é um dos álbuns de jazz mais vendidos de sempre, se não o mais vendido. Reúne nos 5 temas apresentados toda a magia e arte de Males Davis.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
The Miles Davis Story
A Legacy lançou em 2001 o DVD intitulado "The Miles Davis Story". O DVD baseia-se num documentário produzido e realizado por Mike Dibb para a "Channel 4 television".Para os interessados na vida e obra de Miles Davis, este documentário é essencial. As várias fases da vida e da carreira de Miles são aqui retratadas de forma pormenorizada, como base em entrevistas feitas as familiares, amigos, produtores e grandes interpretes do jazz que conheceram e tocaram com Miles.
Conjuntamente com as as entrevistas são apresentados pequenos excertos em vídeo de gravações em estúdio e de concertos. Infelizmente os excertos apresentados são de muito curta duração e frequentemente interrompidos pelas entrevistas. Este facto, pode não ser importante para os grandes apreciadores de jazz e de Miles, que certamente possuem gravações em disco ou DVD dos concertos ou gravações de estúdio apresentados, mas para os menos conhecedores seria certamente mais interessante haver excertos de maior duração.
Do documentário fazem parte, entre outros, entrevistas com:
Miles Davis
Jimmy Cobb - Baterista
Shirley Horne - Cantora
Frances Miles - 1ª mulher
Ian Carr - Biografo de Miles Davis
Gil Evans
Bob Weinstock - Prestige Records
George Avakian - Columbia Records
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
So What - Miles Davis
Miles Davis - So What foi lançado pela editora Salt Peanuts e faz parte de uma colecção designada por "Modern Jazz on DVD".O DVD contem dois conjuntos de temas.
O primeiro conjunto, gravado a 2 de Abril de 1959 inclui:
So What - (Miles Davis)
The Duke - (Dave Burbeck)
Blues for Pablo (Gil Evans)
New Rhumba (Ahmad Jamal)
Miles é neste caso acompanhado por:
John Coltrane - sax tenor
Wynton Kelly - piano
Paul Chambers - contrabaixo
Jimmy Cobb - Bateria
Gil Evans Orquestra
De notar que esta gravação foi feita exactamente no mesmo ano em que foi gravado o álbum Kind of Blue, na altura em que Miles volta a reunir alguns dos membros do famoso Miles Davis Quintet, desfeito uns anos antes.
O segundo conjunto de temas, gravado em Novembro de 1967, mostra Miles já noutra fase da sua carreira, mas ainda antes da sua ligação ao rock. Acompanham Miles Davis:
Wayne Shorter - sax tenor
Herbie Hancock - piano
Ron Carter - contrabaixo
Tommy Williams - Bateria
São interpretados os seguintes temas:
Footprints (Wayne Shorter)
Walkin' (Richard Carpenter)
Gingerbread Boy (Jimmy Health)
A captação de imagem foi feita a preto e branco. A qualidade do som e da imagem é bastante aceitável, tendo sido a captação de som feita em mono.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.records-nordic.de
terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
O Natal com Pavarotti
Porque é Natal e porque o final de 2007 se aproxima a passos largos, o último Lado a Lado com a Música do ano é inteiramente dedicado a uma das maiores vozes líricas de sempre. Luciano Pavarotti.Nascido no ano de 1935 em Modena no norte de Itália, Pavarotti desde cedo manifestou o seu interesse pela música e pelo canto. O pai tinha, segundo o próprio, uma excelente voz de tenor e possuía uma vasta colecção de gravações das melhores vozes da altura.
Abandonando o desejo de se tornar futebolista (nomeadamente guarda-redes), Pavarotti inicia os seus estudos musicais aos 19 anos de idade com Arrigo Pola, um tenor profissional e respeitado professor em Modena. Mais tarde, Pola abandona Modena e Pavarotti continua os seus estudos com Ettore Campogalliani.
A estreia como cantor profissional ocorre em Abril de 1961 numa récita da ópera La Boheme de Puccini no Teatro Municipale em Regio Emilia. Em 1963 estreia-se em Viena e Londres, também em La Boheme.
Embora obtendo algum sucesso nos palcos europeus, o estrelato no mundo da ópera surge numa digressão na Austrália para a qual foi convidado por Joan Sutherland (soprano de quem falaremos no Lado a Lado com a Música oportunamente). O casal fez sucesso nas mais de 40 apresentações realizadas e viria a triunfar mais tarde nos palcos europeus e americanos.
Em 1966, depois de uma récita da ópera La Fille du Regiment de Donizetti ocorrida na Royal Opera House de Londres é-lhe atribuído o "título" de Rei dos Dós de Peito (o dó de peito é um dó agudo a plena voz, que representa um grau de dificuldade elevado para os tenores).
No final dos anos 60 e décadas de 70 e 80, o tenor triunfa mundialmente nos teatros de ópera. A sua presença numa récita era garantia de casa cheia. Interpreta os mais variados papeis em óperas de Donizetti, Bellini, Puccini e Verdi, entre outros.
Embora com um sucesso estrondoso nos palcos de ópera, é só em 1990 que Pavarotti se torna universalmente aclamado quando interpreta "Nessum Dorma" da ópera Turandot de Puccini na abertura do Mundial de Futebol de Itália. A ária torna-se, assim, mundialmente conhecida como a imagem de marca de Pavarotti.
No encerramento deste evento desportivo o tenor junta-se a Plácido Domingo e José Carreras dirigidos por Zubin Mehta num concerto memorável nas antigas Termas de Caracalla em Roma. Nasciam os "Três Tenores".
A década de 90 foi marcada por concertos a solo que arrastaram multidões. Destacam-se o famoso concerto de Hyde Park em Londres a que assistiram mais de 150.000 espectadores e o concerto do Central Park em Nova Iorque com 500.000.
Além de concertos a solo e com Plácido Domingo e José Carreras, Pavarotti associou-se a causas humanitárias em famosos concertos com estrelas do pop - "Pavarotti and Freinds". Curiosamente, mesmo neste concertos, Pavarotti abordou sempre todos os temas de uma forma lírica, ao contrário do que acontece com muito cantores líricos que, para ganharem popularidade, alteram a sua voz.
Depois do ano 2000, Pavarotti começa a aparecer menos no palcos operáticos, mas mantém concertos a solo pelo mundo inteiro. No início de 2006 é obrigado a cancelar uma tourné pelos Estados Unidos e Canadá devido a problemas de saúde.
A 6 de Setembro de 2007, Pavarotti morre na sua casa em Modena. Cala-se, assim, uma das maiores vozes líricas de sempre. A sua arte continuará, no entanto, a poder ser apreciada por todos nós, através do vasto legado por si deixado em vídeo e áudio.
Algumas curiosidades sobre Luciano Pavarotti
- Detém dois Records do Guinness, um por receber o maior número de chamadas a palco (165) e outro pelo albúm clássico mais vendido (In concert pelos Três Tenores);
- Actuou duas vezes em Portugal. Em 13 de Janeiro de 1991 no Coliseu de Lisboa num concerto denominado "Uma Noite com Luciano Pavarotti" e em 21 de Junho de 2000 no estádio de S. Luís em Faro onde interpretou árias de Cilea, Pucinni, Mascagni e Verdi e algumas canções Napolitanas acompanhado pela Orquestra do Norte.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.martinlawrence.com
The Three Tenors Christmas - Pavarotti, Domingo, Carreras, Mercurio
Lançado pela Sony Classical em 2000, o albúm "The Three Tenores Christmas", constitui um obra indispensável para os apreciadores de música de Natal e das vozes de Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras.O álbum surge dez anos depois de um concerto realizado em 1990 nas Termas de Caracalla em Roma, para celebração do encerramento do Mundial de Futebol de Itália. Dirigido por Zubin Mehta, o concerto foi transmitido por televisão para inumeros países. O sucesso foi imediato e permitiu que a tripla de tenores continuasse a dar concertos por todo o mundo.
Grande parte destes concertos está gravada em disco e vídeo. Os Três Tenores foram um enorme sucesso comercial, conseguiriam o record do Guinness para álbum clássico mais vendido de sempre.
The Three Tenors Christmas reune as mais famosas melodias de Natal, interpretadas pelos Três Tenores em conjunto, a solo ou em dueto:
Cantique de Noel (O Holy Night) - Adam
Adeste Fideles - Wade
Ave Maria, Dolce Maria - Benvenute & Pavarotti
Wiegenlied - Brahms
Oh Tannenbaum - Tradicional Alemão
Tu Scendi dalle Stelle - Tradicional Italiano
Amazing Grace - Tradicional Estado Unidos da América
Withe Christmas - Berlin
Dormi, oh Bambino - Tradicional Polaco
Silent Night - Gruber, Mohr
Pregaria - Álvarez
Susani - Tradicional Alemão
Happy Christmas, War is Over - Lenon, Ono
Wiegenlied - R. Strauss, Dehemel
Carol of the Drum - Davis, Onorati, Simeone
La Virgen Lava Pañales - Tradicional Espanhol
I'll Be Home For Christmas - Gannon, Kent, Ram
Sleigh Ride - Anderson, Parrish
Winter Wonderland - Bernard, Smith
Un Nuevo Siglo - Domingo Jr.
Feliz Navidad - Feliciano
O álbum cobre, assim, o repertório mais clássico e o mais ligeiro ou tradicional.
O Três Tenores são dirigidos por Steven Mercurio.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
Christmas Concert - Luciano Pavarotti
O DVD "Christmas Concert" foi lançado em 2006 pela Digimonde Entretainment Ltd e reeditado em 2007.Luciano Pavarotti apresenta-se como uma verdadeira estrela do canto lírico. Ainda longe da fama que alcançou depois dos Concertos dos Três Tenores e Pavarotti and Friends, o tenor apresenta-se neste Concerto de Natal com uma postura mais humilde, mas com um interpretação excepcional das mais famosas melodias de Natal.
O concerto foi gravado em 1988 na Catedral de Notre Dame em Montreal (Canadá). O ambiente religioso da Catedral conjuntamente com as vozes angelicais do Coro das Crianças da Mount Royal (Mount Royal Children Choir) transportam-nos para um Natal de sonho.
A direcção esteve a cargo do Maestro Franz Paul Decker.
Do concerto fazem parte os seguintes temas:
Medley Orquestral
Christmas Medley
O Holy Night
Peità Signore
Gloria in Excelsis Deo
Stille Nacht
Mille Cherubini in Coro
O Jesu Christe
Gesu Bambino
Agnus Dei
Panis Angelicus
Adeste Fideles
Hallelujah
O DVD vale, no entanto, a pena pelo seu valor histórico e é uma boa sugestão para um presente de Natal. O preço é bastante acessível.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.fnac.pt
terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
Rossini - Il Barbiere Di Siviglia / Juan Diego Flórez, Maria Bayo, Pietro Spagnoli, Ruggero Raimondi, Bruno Praticò, Gianluigi Gelmetti, Madrid Opera
A DECCA apresentou em DVD, em Novembro de 2005, uma récita da ópera O Barbeiro de Sevilha (Il Barbiere di Siviglia), realizada no Teatro Real de Madrid.O Barbeiro de Sevilha, baseado na comédia de Baeumarchais "Le Barbier de Séville", com música de Gioacchino Rossini e libretto de Cesare Sterbini, é uma das ópera deste compositor mais apresentadas nos teatros líricos europeus e americanos.
Estreada em 1816 e incluída no estilo operático denominado de Bel Canto, onde se destacam para além de Rossini, compositores como Bellini e Donizetti, esta ópera cómica (buffa) prima pelos momentos jocosos que geralmente provocam risos na plateia (desiludam-se os que pensam que as óperas representam sempre grandes tragédias).
A trama tem como base o romance atribulado entre Rosina e o Conde de Almaviva. A acção decorre em Sevilha onde Rosina vive em casa do seu tutor, Doutor Bartolo.
O Conde de Almaviva, que viu Rosina em Madrid, chega a Sevilha com intenção de a conquistar. Fica a saber, porém, que o Doutor Bartolo planeia casar com a sua pupila.
Fígaro, o barbeiro, arquitecta um plano para ajudar o Conde a conquistar Rosina. Isto a troco de uma quantia em dinheiro.
Pelo meio aparece ainda Dom Basílio, amigo de Doutor Bartolo que tudo fará para atrapalhar o romance.
Depois de uma série de contratempos, confusões, disfarces e mal-entendidos, vence o amor entre o Conde de Almaviva e Rosina e todos ficam razoavelmente satisfeitos.
Do elenco desta récita fazem parte alguns dos maiores nomes da cena lírica internacional actual:
Conde de Almaviva - Juan Diego Flórez
Bartolo - Bruno Praticò
Rosina - Maria Bayo
Figaro - Pietro Spagnoli
Basílio - Ruggero Raimondi
Maestro - Gianluigi Gelmetti
Encenação - Emilio Sagi
Aplaudido mundialmente pela crítica, Juan Diego Flórez é, sem dúvida, a estrela da récita arrebatando os maiores aplausos. Reconhecido como um dos maiores tenores da actualidade e destacando-se nos papeis de Bel Canto, Floréz triunfa na aria "Cessa di più resistere". Pelo seu grau de dificuldade esta ária é muitas vezes omitida nas récitas do Barbeiro.
A encenação, a cargo de Emilio Sagi prima pela originalidade e por fugir ao tradicional. Leva-nos do preto e branco inicial (cenários e figurinos) a uma explosão de cor no final. Curiosamente esta encenação foi também utilizada no Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa nas récitas do Barbeiro ocorridas na temporada lírica de 2005/2006.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com