No seu livro "Os Caminhos do Jazz", Guido Boffi afirma - "Não existe, no mundo do Jazz, um outro músico que, de modo análogo a Miles Davis, tenha sido capaz de atravessar com a sua trompete muitos movimentos fervilhantes que nasciam progressivamente na modera cena musical jazzistíca... Davis foi até ao fim um artista sensibilíssimo na apresentação das novas tendências e das mudanças nas novas formas de expressão".Começamos, assim, no Lado a Lado com a Música a nossa deambulação pelo mundo do Jazz.
Miles Davis nasceu nos Estado Unidos da América em Alton - Illinois em 26 de Maio de 1926. Cedo começou o seu interesse pela música. A mãe pretendia que estudasse piano, mas uma trompete oferecida pelo pai despertou mais interesse a Miles. Era o início.
Depois de concluir os seus estudos de iniciação musical e de ter pertencido a algumas bandas no Illinois, Miles muda-se para Nova Iorque aos 19 anos, com uma bolsa de estudo na Juilliard Scholl of Music. Cedo abandona os estudos e passa a pertencer ao quinteto liderado por Charlie Parker. Surguem a primeiras gravações integradas no estilo bebop.
Em 1948 surgem os primeiros contactos entre Miles Davis e o pianista Gil Evans, que nos seus arranjos utilizava instrumentos que na altura não faziam parte das bandas de jazz como a tuba e o corne francês. Surge assim, o que na altura foi considerando, um insólito noneto (tuba, corne francês, trombone, trompete, sax contralto e sax barítono, piano, contrabaixo e bateria), liderado por Miles e que permite novas e mais leves sonoridades afastando-se, assim, do bebop. A esta nova corrente chamou-se cool jazz. O noneto designado por "Tuba Band" é considerado por muitos críticos umas das mais fascinantes bandas de jazz de todos os tempos.
Após uma fase obscura e de repensamento, Miles funda em 1955 um quinteto destinado a entrar na história do jazz. O Miles Davis Quintet formado para além do próprio Miles Davis como trompetista, por John Coltrane no sax tenor, Red Garland no baixo, Paul Chambers no contrabaixo e Philly Jo Jones na bateria, adopta um estilo próximo do bebop, mas com uma influência do blues e do gospel (hard bop), introduzida principalmente pela presença do saxofone. O quinteto é dissolvido em 1957, uma vez que Miles se opunha ao consumo de droga por parte de alguns dos seus participantes.
Em 1957 grava, improvisando, a banda sonora do filme Fim de Semana no Ascensor de Louis Malle, obra que contém antecipações para a viragem de Miles para a modalidade.
Para dar voz a este conceito derivado da música antiga grega e da eclesiástica medieval, reúne de novo em 1958 Red Garland, Paul Chambers Philly Jo Jones e John Coltrane a quem junta no sax alto Julian "Cannonball" Adderley e no piano Bill Evans. Grava nesta altura Kind of Blue considerado por muitos o melhor disco de Miles Davis e um dos álbuns mais belos e importantes de toda a história do jazz.
Em 1963 Miles forma um novo quinteto mas abandonado em parte pelo público ligou-se ao rock e introduziu instrumentos eléctricos no conjunto (1969). Reune Wayne Shorter (sax soprano), Cick Corea e Herbie Hancock (pianos eléctricos) Joe Zawinul (órgão), John McLaughlin (guitarra), Dave Holland (contrabaixo) e Tony Williams(bateria). Esta ligação ao rock foi criticada por muitos apreciadores de jazz.
Até ao inicio dos anos 90 Miles continua a gravar e a viajar por todo o mundo em inúmeros concertos, mudando várias vezes de editora e continuando a ser criticado por muitos por se afastar do jazz. No entanto, mesmo nesta fase, a sonoridade característica da trompete de Miles foi sempre mantida.
A 28 de Setembro de 1991, Miles morre, deixando um legado enorme de gravações em disco e vídeo.
Alberto Velez Grilo
Foto: www.amazon.com
Texto baseado no livro Os Caminhos do Jazz de Guido Boffi e em artigos da Wikipedia.


