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terça-feira, 6 de maio de 2008

Tom Jobim

António Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, nasceu no Rio de Janeiro a 25 de Janeiro de 1927 e é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e um dos criadores do movimento ou estilo Bossa Nova.

O trabalho de Tom Jobim destaca-se não só na composição, mas também nas suas actividades como maestro, pianista, cantor e guitarrista.

Pensou em trabalhar como arquiteto e chegou exercer esta actividade, mas cedo abandonou a arquitectura e começou a tocar em bares do Rio de Janeiro como pianista. Em 1952 foi contratado pela editora discográfica Continental como arranjador. É por volta desta altura que surgem as suas primeiras composições. O primeiro tema gravado foi Incerteza com letra de Newton Mendonça e voz de Mauricy Moura. O primeiro grande sucesso seria Tereza na Praia com Lúcio Alves e Dick Farney.

Em 1956 musicou a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça fez bastante sucesso a canção antológica Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada inumeras vezes.

Tom Jobim fez parte do núcleo embrionário da Bossa Nova. O álbum Canção do Amor Demais de 1958 em parceria com Vinícius de Moraes, e interpretações de Elizeth Cardoso, foi acompanhado pelo "violão" de um baiano até então desconhecido, João Gilberto. A orquestração é considerada um marco inaugural da Bossa Nova, pela originalidade das melodias e harmonias. Inclui, entre outras, Canção do Amor Demais, Chega de Saudade e Eu Não Existo sem Você. A consolidação da Bossa Nova como estilo musical veio logo em seguida com o "single" Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direcção musical de Tom Jobim.

O músico foi em 1962 um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova Iorque, iniciando desta forma a sua carreira internacional. No ano seguinte compôs, com Vinícius de Moraes, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no foram do Brasil: Garota de Ipanema. Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de "clássicos" produzidos por Jobim é impressionante: Samba do Avião, Só Danço Samba (com Vinícius de Moraes), Ela é Carioca (com Vinícius de Moraes), O Morro Não Tem Vez, Inútil Paisagem (com Aloysio), Vivo Sonhando, entre outros.

O sucesso fora do Brasil fê-lo voltar aos Estados Unidos em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. O álbum Francis Albert Sinatra e António Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês das canções de Tom Jobim (The Girl From Ipanema, How Insensitive, Dindi, Quiet Night of Quiet Stars) e composições americanas, como I Concentrate On You, de Cole Porter.

Ainda no fim dos anos 60, depois de lançar o álbum Wave, participou em vários festivais no Brasil, conquistando o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção Rede Globo, com o tema Sabiá, em parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele. Sabiá conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a interpretação diante dos constrangidos compositores.

Aprofundando os seus estudos musicais e nomeadamente com inspiração em compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim continuou a gravar e compor temas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz (Stone Flower) e elementos tipicamente brasileiros, fruto das suas pesquisas sobre a cultura brasileira. É o caso de Matita Perê e Urubu, lançados na década de 70, que marcam a aliança entre a sofisticação harmónica de Tom e sua qualidade de letrista. São desses dois discos os temas Águas de Março, Ana Luiza, Lígia, Correnteza, O Boto e Ângela.

Depois de lançar o seu último álbum (de mais de 50), Antônio Brasileiro, Tom Jobim, morre no Estados Unidos em Dezembro de 1994.


Alberto Velez Grilo

Foto: http://www.Wikipedia.com/
Texto baseado em artigos da Wikipedia e conteúdos de sites de referência

Maestro Soberano Tom Jobim

Lançado pelas editoras Do Brasil e Discmedi no ínicio de 2008, este conjunto de três DVD's constitui um retrospectiva do trabalho do compositor, cantor e pianista (entre outras actividades ligadas ao meio musical) Tom Jobim.

Com o título genérico Maestro Soberano Tom Jobim, os vários trabalhos são agrupados em três DVD's com os nomes Ela é Carioca, Chega de Saudade e Águas de Março.

Para além de inúmeros temas interpretados pelo próprio Jobim e pelos maiores nomes da música Brasileira, fazem também parte dos DVD's entrevistas com várias personalidades ligadas à música Brasileira.

Participam entre outros:

Caetano Veloso
Chico Buarque
Gal Costa
Gilberto Gil
Milton Nascimento
Vinícius de Moraes
Ana Lontra Jobim
Paulinho da Viola
Edu Lobo
Ellis Regina

Para os apreciadores de Bossa Nova e MPB, esta é uma obra de referência do que é talvez o maior ícone de sempre destes estilos.


Alberto Velez Grilo

Foto: http://www.fnac.com/


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Elis Regina


Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre no Brasil, a 17 de Março da 1945.

Começou a sua carreira de cantora com apenas 11 anos de idade, num programa para crianças de uma rádio local.

Gravou o primeiro disco "Viva a Brotolândia" em 1961 com 16 anos.

Logo nesta altura, Elis Regina começou a afirmar-se como uma das maiores vozes do Brasil, com uma escolha muito cuidadosa de reportório, que incluía os grandes autores compositores dos estilos Bossa Nova e MPB (Música Popular Brasileira).

Durante os anos 60, 70 e 80, Elis construiu uma carreira bastante sólida, baseada no perfeccionismo técnico e na emoção e energia que transmitia nos seus concertos.

Da sua curta, mas assombrosa carreira, destaca-se em 1975 o espectáculo "Falso Brilhante", que mais tarde originou um disco com o mesmo nome e que ficou um ano em cartaz com perto de 300 apresentações. Desatacam-se também as suas participações em várias edições do "Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) e no especial "Mulher 80" (Rede Globo).

Um outro mérito de Elis Regina, foi ter lançando vários compositores brasileiros desconhecidos até então. Nomes como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Gilberto Gil e João Bosco, hoje amplamente conhecidos, muito devem à cantora a sua apresentação e aceitação dos públicos brasileiro e internacional.

Ao lado de uma carreira brilhante, Elis criticou muitas vezes a ditadura Brasileira (Anos de Chumbo) e a perseguição política que era feita pelo regime aos músicos. Diz-se que foi a sua popularidade que a manteve fora da prisão.

Políticas à parte, Elis Regina ficará para a história como uma cantora de grande qualidade técnica e com um sentido artístico muito apurado. Temas como Arrastão, Corcovado, Aquarela do Brasil, Águas de Março e Rebento, entre outros, ficarão para sempre gravados na memória do publico brasileiro e internacional que tanto a apreciou.

Elis morre no dia 19 de Janeiro de 1982 aos 36 anos, devido a problemas de saúde relacionados com o abuso de drogas e alcoól.


Alberto Velez Grilo

Foto: atuleirus.weblog.com.pt
Texto baseado no livro Os Caminhos do Jazz de Guido Boffi.

Elis Regina - Montreux Jazz Festival

Lançado pela Warner Music Brasil em 2001, este CD é um relato hitórico da passagem de Elis Regina pelo "Festival de Jazz de Monterux" em 1979.

Neste ano Elis Regina era a cabeça de Cartaz da "Noite Brasileira" do Festival e o seu concerto encontrava-se há muito tempo esgotado. Face à insistência da organização, Elis decide fazer uma matinée no dia do concerto.

A matinée esgotou e Elis encantou. Diz-se que este espectáculo foi como um ensaio geral para o espectáculo que ocorreria durante a noite.

Elis esteve soberba na matinée. Cantou com segurança e com técnica, mas com alguma contenção emocional, os temas que já a tinham celebrizado junto do publico brasileiro e que tiveram muito boa aceitação junto do publico internacional do Festival.

A "noite Brasileira" iniciou-se com uma actuação do pianista Hermeto Paschoal, muito conhecido do meio Jazzistíco internacional, que com a sua banda de músicos fez a casa vir abaixo. No final desta parte do espectáculo o publico aplaudiu Hermeto durante mais de 15 minutos.

O êxito de Hermeto Paschoal, colocou alguma pressão em Elis que se apresentaria logo de seguida. Elis entrou em palco nervosa e pouco emotiva. Conta-se que ao fim dos primeiros 10 minutos de actuação se encontrava exausta. Cantou com precisão mas sem emoção. O público apreciou a sua apresentação mas os aplausos foram mais comedidos. Hermeto tinha ganho a noite.

Quando Elis sai de palco o apresentador chama de novo Hermeto e, surpresas das surpresas, chama também Elis. Os dois talentos estavam assim juntos em palco para fechar a noite. Elis, contrariada, acedeu e entrou em palco.

Hermeto começa a tocar "Corcovado" e quando Elis começa a cantar, o experimentado músico de Jazz, começa a mudar harmonias a e improvisar no piano. Elis acompanha, desafiando o pianista, cresce a cada nota, improvisa. Segue-se "Garota de Ipanema" que Elis detestava e que tinha afirmado que nunca cantaria. Hesita, mas resolve cantar. Canta em português e em inglês. O público entra em delírio.

No final dos espectáculo Elis faz André Midani, o seu produtor, prometer que nunca lançaria em disco o concerto do Festival.

No entanto, Elis morre três anos mais tarde, e André Midani, resolve quebrar a promessa e lançar em 84 um LP onde juntou algumas músicas da matinée com os temas interpretados com Hermeto.

Em 2001, lança este CD com base no LP e em mais algumas músicas da matinée.

Assim, do CD fazem parte os seguintes temas:

Cobra Criada - João Bosco, Paulo Emílio
Cai Dentro - banden Powell, Paulo César Pinheiro
Madalena - Ivan Lins, Ronaldo Monteiro
Ponta de Areia - Milton Nascimento, Fernando Brant
Fé Cega Faca Amolada - Milton Nascimento, Fernando Brant
Maria Maria - Milton Nascimento, Fernando Brant
Na Baixa do Sapateiro - Ary Barroso
Upa Neguinho - Edu Lobo, Gianfranciesco Guarnieri
Corcovado - Tom Jobim
Garota de Ipanema - Tom Jobim, Vinícius de Moraes
Asa Branca - Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira
Amor Até ao Fim - Gilberto Gil
Mancanda - Gilberto Gil
Samba Do brado - Djavan
Rebento - Gilberto Gil
Águas de Março - Tom Jobim
Onze Fitas - Fátima Guedes
Agora Tá - Tunai, Sérgio Natureza


Alberto Velez Grilo

Foto: www.amazon.com
Texto baseado na documentação incluido no CD da autoria de Nelson Motta.

Elis Regina Carvalho Costa - Série Grandes Nomes TV Globo

Reeditado em 2005 pela Vidisco, o DVD Elis Regina Carvalho Costa, está incluído numa série de concertos realizados pela TV Globo (Brasil) denominada Grande Nomes TV Globo.

A gravação ocorreu no dia 3 de Outubro de 1980, uma ano depois da passagem de Elis pelo Festival de Montreux.

Com um cenário fora do comum, Elis apresenta-se como artista de circo, numa tenda de chita.

O DVD inclui também uma entrevista com Daniel Filho que dirigiu a realização do espectáculo para a TV Globo. Nesta entrevista está bem patente o papel de Elis Regina no meio musical brasileiro.

Fazem parte do concerto os seguintes temas:

Abertura. Arratão (Instrumental) - Edu Lobo, Vinícios de Moraes
Querelas da Brasil - Maurício Tapajóes, Aldir Blanc
Agora Tá - Tunai, Sérgio Natureza
Alô, Alô Marciano - Rita Lee, Roberto de Carvalho
Essa Mulher - Joyce, Ana Terra
Atrás da Porta - Chico Buarque, Francis Hime
Cadeira Vazia - Lupicinio Rodrigues, Alcides Gonçalves
Conversando no Bar - Milton Nascimento, Fernando Brant
O Bêbado e a Equilibrista - João Bosco, Aldir Blanc
Aos Nossos Filhos - Ivan Lins, Vítor Martins
Modinha - Tom Jobim, Vinícius de Moraes
Rebento - Gilberto Gil
Aquarela do Brasil - Ary Barroso
O que Foi Feito Devera - Milton Nascimento, Frenando Brant
Redescobrir - Gonzaguinha

Acompanham Elis:

César Camargo Mariano - Arranjo e piano
Sérgio Henriques - Teclados
Nonô Camargo - Trompete
Cláudio Faria - Trompete
Octávio Bangla Sax Tenor
Don Chacal - Bateria
Paulo Garfunkel - Sax Alto, Flauta, Clariente
Chiquinho Brandão - Flauta
Natan Marques - Guitarra
Kzam Gama - Baixo
Bocato - Trombone
Picolé - Bateria
Lino Simão - Sax Tenor



Alberto Velez Grilo

Foto: www.fnac.com